É o que falta ao Presidente Michel Temer. Mesmo diante da barbárie que o mundo todo assiste no sistema prisional brasileiro, nenhuma medida concreta, eficaz e imediata foi adotada pelo governo federal.
A ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o Poder mais lento da República, foi mais rápida que o Executivo e iniciou um mutirão para revisão da situação dos encarcerados que, pela lei, já poderiam estar em liberdade. Uma saída legal para reduzir a população carcerária e diminuir a pressão sobre um sistema falido.
Enquanto isso, o ministro da Justiça sequer atendeu ao pedido de socorro dos Estados ante o iminente desastre anunciado. Duas revistas semanais deram destaque, negativo, a ele. Alexandre de Moraes é um excelente professor de Direito Constitucional. Talvez isso o ligue de forma tão forte ao atual presidente da República, outro acadêmico do Direito Constitucional. Mas governo não é universidade, governo é ação, e isso tem faltado ao presidente Temer.
No governo não há espaço para acomodar quem lhe agrada ou parece ser muito bom e até seja muito bom, mas que é de fato bom na gestão da coisa pública. O Ministério da Justiça acumula centenas de atribuições que não podem ficar centralizadas no ministro. É preciso ter coragem para mudar e agir. Presos amotinados não vão esperar os planos governamentais, é preciso agir com coragem e pôr ordem no sistema penitenciário agora, mostrar que ainda existe controle.
Note-se que na economia não houve receio de deixar a gestão com quem entende do riscado; na Justiça não pode ser diferente. O atual ministro, sem nenhum demérito pessoal, de fato consegue causar atritos, como a hipótese de quebrar o sigilo entre os criminosos e seus advogados. Conseguiu com isso, colocar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em pé de guerra, como se não houvesse problemas suficientes.
Se Temer faz questão de Alexandre, que o mantenha no governo, mas para o Ministério da Justiça é preciso alguém com um viés mais pragmático.