A morte trágica do relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki, deixou muita gente perplexa, principalmente seus colegas de Judiciário e figuras da classe política. O acidente causa por si só comoção e consternação pelos familiares das vítimas, claro, não poderia ser diferente como qualquer outra tragédia.
E antes que qualquer teoria da conspiração possa surgir de maneira impertinente em relação às causas da queda da aeronave em que ele e outras quatro pessoas estavam, é bom lembrar que chovia muito naquele momento e a visibilidade do piloto estava bastante prejudicada, a poucos quilômetros da pista de pouso. Ou seja, foi uma tragédia envolvendo um homem público de bastante respeito e importância para a República, integrante da mais alta corte do País.
A consternação foi tanta que o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância, se disse "perplexo" com a morte do ministro, a quem chamou de "herói brasileiro". O presidente Michel Temer decretou luto oficial de três dias, como uma "modesta homenagem", e o classificou como um "homem de bem".
Em contrapartida, o também ministro Marco Aurélio Mello afirmou que a morte de Zavascki não pode paralisar os inquéritos da Lava Jato. Apesar de ter lamentado a morte do colega, salientou que os procedimentos urgentes devem ser imediatamente redistribuídos. Havia a expectativa de que o ministro decidisse em fevereiro se homologaria ou não os acordos de delação premiada com 77 executivos da Odebrecht.
Agora, caberá a Temer nomear um substituto, que terá que ser aprovado pelo Senado. Já houve até quem se manifestasse suas preferências, como o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus. Em sua conta no Twitter ele "recomendou" ao presidente que escolha Sergio Moro para o lugar, como forma de "honrar o exemplo de honestidade".
O fato é que, inevitavelmente, surge um clima de incerteza e de dúvidas acerca do que acontecerá a partir de agora. A morte de um ministro do STF durante o andamento de processos que apuram o maior e mais complexo caso de corrupção causa um impacto e tanto. É preciso haver muita clareza sobre como será daqui para frente e quem assumirá a responsabilidade
Por outro lado, mostra como a morte é inexorável, deixando tudo em segundo plano. Em um dia se está vivo, no outro pode não estar mais. E o que tanto importava fica para trás. Claro que haverá prosseguimento, mas o episódio fez com que todos parassem e pensassem.