As mortes dentro dos presídios brasileiros, mais especificamente no Amazonas e em Roraima, geraram uma enxurrada de comentários nas redes sociais, desde pessoas comuns a políticos e artistas. Como é natural na Internet, o assunto gerou polêmica. Figuras importantes e respeitadas em nossa sociedade chegaram a postar mensagens dizendo que "torcem" para que mais presos se matem nos presídios. O bom senso e os bons modos indicam que nem tudo que pensamos devemos falar. Existe uma ética e respeito na sociedade e, a partir do momento em que tudo pode, as consequências acabam sendo perigosas.
Vivemos hoje em um mundo cheio de pessoas, famosas ou não, que falam o que pensam, sem se importarem com a opinião dos outros. Esta é uma liberdade conquistada com muito sangue e muita luta através dos tempos. É um direito adquirido e não há o que se contestar. O problema é que a falta de um filtro antes de expor as opiniões cria um mundo de confusão, senso comum, falta de respeito, polêmica, intolerância. Hoje, todo cuidado é pouco, pois todas as raças e grupos também conquistaram os mesmo direitos que o de quem opina sobre tudo.
Dizer que quanto mais presos morrerem é melhor pode parecer um pensamento coerente, mas pode também ser uma provocação aos bandidos e, infelizmente, quem sofrerá as consequências não é o político ou a personalidade que publicou o texto, mas sim a população como um todo.
A maior das verdades neste momento é que o Brasil está vendo o quanto as facções criminosas cresceram nos últimos dias no País. As mortes nas penitenciárias foram causadas por brigas de grupos rivais que "comandam" os presídios. Antes de qualquer comemoração pelas mortes, o que precisamos fazer é repensar a atual situação da segurança pública, onde presos estão sendo decapitados por facções. O perigo que esses criminosos causam na sociedade é enorme. É um verdadeiro terrorismo.
Ontem, a Força Nacional de Segurança foi acionada e partiu para Roraima. No final do ano passado, a empresa que administra o presídio onde morreram 30 pessoas pediu a ajuda do governo federal, mas o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, negou o auxílio. A falta de atenção e preocupação custou uma rebelião com dezenas de mortes.
Portanto, que todos falem o que pensam e exponham suas opiniões, pois é um direito, mas a partir do momento em que se perde o bom senso, as palavras acabam atingindo inocentes e piorando um cenário de descaso, violência e intolerância.