Assistimos a mais um capítulo de um desastre humano, as chacinas nos presídios, se é que assim podemos clamá-los, da região Norte do Brasil. Uma reedição da tragédia de 2014, já esquecida.
As reações foram tão assustadoras quanto a barbárie. Um integrante do governo federal disse que deveriam ocorrer mais mortes; caiu. Um deputado estadual de São Paulo sugeriu aos presos de Bangu, no Rio de Janeiro, que superassem o número de mortos em Manaus. Bandido bom é bandido morto.
Imagens na Internet defendem cães ao invés de presos, afirmam que as vítimas dos criminosos não são indenizadas e por aí vai. Ninguém, com exceção de quem o comete reiteradamente, é favorável ao crime. Ninguém aprecia ser roubado, furtado, sofrer qualquer tipo de violência. Todos repudiam os crimes. Mas o que temos assistido é que há um repúdio aos criminosos. Querem vingança.
Uma sociedade que se proclama predominantemente cristã, prega o extermínio de criminosos, pagando o mal com o mal. É evidente que nosso sistema policial, judicial e prisional em geral é falido. A prisão que deveria recuperar só aprimora o criminoso e muitas vezes o incorpora ao crime organizado.
Muitos que se encontram encarcerados cometeram atrocidades repugnantes e devem cumprir suas penas com todo o rigor da lei. Mas cumprir pena não pode se transformar, como se transformou, num reality show de sobrevivência, onde quem esta dentro tenta sobreviver enquanto a sociedade espera que eles se comportem como gladiadores matando uns aos outros. Não defendo o crime, mas fazer da prisão um coliseu não resolve o problema da violência; o agrava, cada vez mais, pois eliminar criminoso não elimina o crime.
Precisamos fazer o sistema penitenciário sair do papel, cumprir a lei de execuções penais, isso já basta. Para os que oram o Pai Nosso, lembrem-se da condição que impõem para o seu próprio perdão: "perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos quem nos tem ofendido."