Os acumuladores de animais estão perdidos em um mundo de boas intenções. Este poderia ser um resumo simplista da razão principal que faz com que alguém acumule dezenas ou até centenas de animais em casa.
Muitas pessoas se perdem dentro da própria vontade de ajudar, e acabam, sem perceber, prejudicando a si e aos próprios animais. Muitos deles sofrem de uma doença conhecida como "Síndrome de Noé". Tal síndrome possibilita a criação de uma realidade paralela.
Como qualquer acumulador, seja de objetos antigos, lixo, caixas, sapatos, enfim, não percebem que ultrapassaram os limites. No caso específico de cães e gatos, eles são movidos por um conceito equivocado de proteção e acabam por entrar em um círculo vicioso. Passam a receber mais e mais bichos e não reconhecem que não conseguem cuidar de todos eles e, o pior, deles mesmos.
Eles sentem que têm a missão de evitar a morte dos animais, porém, acreditam que um animal doente ou tratado inadequadamente é melhor do que ele longe.
Ainda não há dados nacionais sobre essa acumulação. O perfil padrão, segundo estudos americanos, aponta para mulheres com mais de 60 anos que moram sozinhas. Gatos são os mais acumulados, seguidos de cães e pássaros. Outro traço comum é que, geralmente, os acumuladores negam o problema e a ajuda profissional.
A síndrome também é consequência da falta de políticas voltadas aos animais abandonados. A ineficácia do Poder Público em resgatar e acolher os animais faz com que cidadãos tomem para si o problema.
O acúmulo de animais em casa, mais que um gesto de compaixão com os cães e os gatos abandonados, é um transtorno mental e precisa de apoio e orientações de especialistas.
Enfim, para cuidar de um, dez ou cem animais é fundamental amá-los, porém, o amor não é suficiente. Ele ou eles precisam sim de atenção e amor, mas necessitam também, em uma mesma proporção, de cuidados com a saúde, espaço adequado, alimentação saudável e acompanhamento veterinário.