Indubitavelmente, a corrupção do homem é coisa de base, não um privilégio dos tempos modernos. Isso é comprovável na própria história, mas também, não é difícil concluir que com o passar dos tempos, a tolerância à corrupção, assim como o relativismo, tornaram-se muito maiores do que em outros tempos.
Se por um lado, o excessivo conservadorismo é perigoso porque pode gerar uma reação extrema na busca da liberdade que chegaria à libertinagem, a tolerância exagerada pode afrouxar tanto os procedimentos e condutas, que as mentes estarão dispostas a aceitar absurdos morais, como já acontece.
O incrível é que o ser humano, em regra, é pronto para condenar o outro, sem, contudo, identificar em si mesmo, comportamento similar e, igualmente, condenável. Neste momento de absoluto imbróglio político, social e econômico, são inúmeras as vozes e canetas que condenam os líderes e administradores em todos os âmbitos, pautados, sobretudo na corrupção, mas se formos honestos chegaremos à conclusão de que somos parte do problema.
Não estou dizendo que não há pessoas honestas ou que todos são corruptos ou corruptores na mesma medida, mas que se observarmos as atitudes dos brasileiros, desde as mais simples, encontraremos em algumas, a brecha para a corrupção ou a opção pelo caminho mais curto, pela facilidade, mesmo em detrimento da ortodoxia.
Lembro-me da história do senhor, já encanecido pelos anos que assumiu o controle de um estacionamento e quando um sujeito parou numa vaga para pessoas com necessidades especiais porque o local estava lotado, ele o abordou, indicando que não poderia parar ali, pois seu veículo não possuía o selo de habilitação correspondente. O condutor, sem ter percebido que estacionara em vaga indevida, logo se desculpou e reagiu, imediatamente, no sentido de remover o veículo, mas, de pronto, o zelador sussurrou: "se o senhor me der um trocado, pode deixar aí". Ou seja, nada nos remove o direito de condenar a conduta absurda de nossas autoridades, mas devemos, primeiro, tirar a trave do nosso olho, para falar do argueiro no olho alheio!