Ainda tenho na memória da adolescência aquela briga de dois colegas, na rua, no momento mais oportuno que é na saída da escola. Para aguçar a raiva de ambos, alguém colocou a mão entre o rosto dos dois e gritou "quem for homem cospe aqui", abaixou a mão e as cuspidas se cruzaram acertando a cara de cada um. Um deles era mais mirrado e o outro mais avantajado. Todos os garotos faziam uma roda deixando no meio os briguentos e apostavam no maior. Ninguém do "deixa disso" apareceu para atrapalhar. Surpresa! O magrinho num murro certeiro entortou o nariz do grandão que se pôs a chorar.
A luta nem bem havia começado e já tinha terminado. Era, ainda, uma idade que as desavenças não se resolviam pela argumentação, mas pelo sopapo da mão. Um fato foi noticiado outro dia no jornal e nos deixou chocado. Qual o limite da violência? Para alguns o ódio é tão grande que a agressão só cessa com a morte da vitima; não é o caso dessas disputas rápidas, como as descritas acima, entre crianças que se agridem e logo depois já estão de bem.
Este caso aconteceu numa via pública central da nossa cidade: uma mulher foi espancada por socos até a morte por um homem sem que ninguém interferisse ou prestasse qualquer ajuda. A brutalidade sangrenta das arenas romanas está invadindo as nossas ruas e serve de espetáculo, como lá acontecia.
Somos participantes com aqueles que banalizam a vida quando passivamente assistimos, sem nenhum escrúpulo ou desejo de interromper a barbárie.
Essa pregação de autoestima está fazendo as pessoas serem amantes de si mesmas, sem nenhum olhar de amor ao próximo. O sofrimento do próximo em vez de despertar um sentimento de misericórdia tem produzido em muitos um sentimento mau de prazer masoquista. Sem amor e sem justiça a humanidade está destinada a destruição.
A grande audiência na mídia se faz através dos programas com cenas de violência e de imoralidade. O distanciamento de Deus nos faz perder a santificação e a consequente noção da gravidade do pecado.