Como já dizia Nelson Rodrigues, "toda a unanimidade é burra". Da mesma forma, toda a generalização também o é. E o mesmo vale para toda forma de preconceito. Alguns podem até jurar, por exemplo, que políticos não prestam e que isso vale para todos, sem exceção alguma.
Não creio que seja assim. Como já manifestei em diversos artigos, comentários e entrevistas, os políticos, assim como os que atuam em qualquer área, são antes de tudo pessoas que compõem nosso "belo quadro social". Portanto, seja na política ou em qualquer setor da sociedade, certamente iremos observar a presença de pessoas muito íntegras, um pouco íntegras ou nada íntegras. O que varia é a intensidade de cada uma dessas classificações de acordo com o setor observado.
Mas nesses tempos de inúmeras operações realizadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, que revelam diversos esquemas de corrupção, não é muito difícil compreender a forte rejeição social aos políticos de forma generalizada.
Acho bastante crível a não existência de santos na política. Assim como não creio na existência de santos em nenhuma outra atividade social. Todos nós temos pecados. Mas isso não nos torna demônios. É a intensidade dos pecados que nos aproxima ou nos distancia dessa condição.
A política é indispensável ao sistema democrático e, satanizá-la, não contribui para o aperfeiçoamento da nossa jovem democracia. Necessitamos de uma profunda reforma para que as instituições políticas e seus agentes pautem suas ações com respeito à legislação. Não precisamos de santos, mas sim de homens e mulheres que sejam efetivamente servidores públicos e não aproveitadores.
Enquanto isso não ocorre, não adianta muito buscar os santos. Até porque em três delações de executivos da Odebrecht existe a indicação de um santo beneficiado por pagamentos de "caixa dois" em diferentes anos.
A política não deve ser santificada ou satanizada. Ela precisa ser humanizada.