Reportagens publicadas pelo Grupo Mogi News esta semana mostraram os problemas enfrentados pela população diante da reestruturação iniciada pelo Banco do Brasil. Com o fechamento de uma agência no distrito de Brás Cubas e outra na área central, ambas em Mogi, a demora no atendimento e o desencontro de informações complicaram a vida de muitos correntistas, principalmente as dos idosos, que ainda enfrentaram problemas para receber a aposentadoria. O processo também acarreta na redução do quadro de funcionários com o incentivo à aposentadoria.
Inicialmente acreditou-se que a decisão, que também causou o fechamento de duas unidades em Suzano e Guararema, respectivamente, era logística. Algo plausível, uma vez que, pelo menos em Mogi, as unidades fechadas e as remanescentes eram próximas.
Porém, embora se trate do segmento mais lucrativo da economia, a reestruturação está fundamentada no corte de gastos e no projeto de ampliação do atendimento digital, com destaque para a possibilidade de abertura de conta por meio do celular e, recentemente, até mesmo a senha para o atendimento presencial pode ser solicitada por meio do aplicativo da instituição.
É muito louvável que as empresas aumentem a cada dia sua presença no mundo on-line, diante de tantos avanços tecnológicos e do crescimento constante deste novo mercado, mas a impressão deixada é que foi uma decisão atropelada, que pegou muitos clientes de surpresa, e até mesmo os funcionários.
O Sindicato dos Bancários de Mogi das Cruzes e Região acompanha o processo, sendo contrário às medidas adotadas. Uma moção direcionada ao presidente Michel Temer foi aprovada na Câmara Municipal com a presença de representantes da entidade, pedindo a suspensão da reestruturação. De acordo com o vereador Clodoaldo de Moraes (PR), autor da moção, o processo pode se estender à Caixa e aos Correios.
Talvez um exagero por parte do parlamentar, se levarmos em conta que recentemente a Caixa implantou uma agência no distrito de Jundiapeba, e antes, o correspondente bancário no local era, principalmente, a agência dos Correios ali instalada. Mas, é inegável que reestruturações como a que ocorre no Banco do Brasil levam em conta apenas números e não as pessoas. Faltou avaliar os impactos para quem ainda recorre à agência e precisa de atendimento rápido e eficiente, não por força de lei, como existe em Mogi, mas porque a empresa que oferece o serviço tem a qualidade como missão. Agora, é aguardar a continuidade do processo, que dificilmente será suspenso.