E o Malafaia? Parlapatão por excelência, santo entre os santos, censor de tudo e de todos, foi encontrado com a boca na botija, recebendo, segundo consta, para lavar dinheiro sujo, a soma de R$ 100 mil. Após sua inquirição, que contou, como sempre com aparato midiático que cerca os "famosos", em entrevista concedida, com ensaiada teatralidade, esbravejou, esperneou, agrediu!
Conhecedor dos trilhos da psicologia, e sabedor que o povo adora dramalhões, mais uma vez buscou lograr, desdobrando-se em esfarrapadas explicações que justificassem a quantia. Bastou que, convidado por empresário em dificuldade, usasse o nome de Deus e implorasse por Sua ajuda, para que, como o maná no deserto, brotasse em suas mãos, expressiva soma.
É, esse negócio de se dizer representante do Criador na Terra rende os seus lucros. Não bastassem os dízimos, as coletas, os óbulos de qualquer origem, agora, por preços astronômicos, ao que nota, também se vende milagres. E quanto mais carimbada a figurinha, maior o valor da empreitada!
Esqueceu-se o "pastor", dos mandamentos do Mestre, ferindo, na visão do credo que professa, o 3º ("Não usar o nome de Deus em vão"), e o 8º ("Não furtar" - tomado por extensão este último). Mas, pergunta-se em terras tupiniquins qual o problema em se transgredir normas, mesmo que as sagradas? Afinal, dilapidando o erário, corrompendo o dinheiro público, raspando os cofres e desviando verbas: uma imensidão de calhordas não condena à morte certa crianças que precisam de alimentos, doentes que suplicam por remédios, tantos que mendigam o amparo estatal?
O 6º mandamento (5º para o catolicismo) - "Não matarás" - se tornou letra que repousa adormecida, regra que só se ouve nos sermões dominicais, esquecida à saída dos templos. Infelizmente o amoral pregador terá defensores, e, quem sabe, angariará nome ainda mais forte, elegendo-se pela massa ignara como "perseguido pelas forças do mal". Esperem o próximo sermão!