Em tempo do grande imediatismo incentivado pelo fenômeno das redes sociais deparei-me com uma postagem no Facebook que dizia: "eu tenho vergonha dos políticos brasileiros". Fiquei pensando e conclui ser exagerado ter vergonha de todos os políticos brasileiros. Mais razoável seria ter vergonha dos políticos brasileiros que não prestam. Mesmo que eles sejam a grande maioria, não se deve generalizar tanto.
Mas não acredito que ter vergonha somente dos políticos que não prestam seja suficiente para demonstrar toda a minha indignação com o que não presta nesse País. Resolvi então ampliar minhas vergonhas.
Eu tenho vergonha dos empresários que não prestam. Daqueles que exploram o trabalho infantil ou em condição análoga à escravidão. Daqueles que descaradamente sonegam impostos. Dos que usam qualquer artifício ilícito para maiores lucros.
Tenho vergonha dos médicos que não prestam. Daqueles que não cumprem seu horário nos empregos públicos. Dos que cobram valores indevidos quando atendem em instituições públicas. Daqueles que cobram valores diferentes com ou sem recibo. E, principalmente, daqueles que indicam e realizam procedimentos desnecessários para receber mais.
Tenho vergonha dos funcionários públicos que não prestam. Daqueles funcionários que não cumprem a jornada de trabalho pela qual recebem. Dos que burlam os sistemas de controle, ou daqueles que cobram "taxas" para apressar o andamento de um serviço.
Tenho vergonha dos trabalhadores que não prestam. Daqueles que fazem corpo mole, bem como daqueles que usam notas frias para ressarcimento de despesas que não foram realizadas.
Tenho vergonha dos advogados que não prestam e dos jornalistas que não exercem sua profissão com a devida ética. Tenho vergonha dos padres, pastores e demais religiosos que não prestam por não praticarem aquilo que pregam. Bem como dos juízes que não prestam e que são punidos com a aposentadoria compulsória, com seus polpudos vencimentos que muitas vezes extrapolam o teto em vigor.
Mas, acima de tudo, tenho vergonha das pessoas que não prestam e que se espalham pela sociedade com seus disfarces. Afinal, a mesma sociedade que fornece a matéria-prima para nossas instâncias políticas, abastece os outros segmentos da sociedade.