Há alguns meses escrevíamos aqui e muitos de nós comentavam nas rodas de amigos e em debates sobre a nova perspectiva que o País ganhara com a ascensão de Temer. É claro que uma dose de otimismo automático fazia parte do lastro daqueles comentários e percepções, mas, também, davam sustentação à ideia, à experiência e ao preparo do político, sua condição de autonomia por não intentar uma próxima eleição. A boa equipe, a princípio formada, dava bons sinais da arrancada de sua gestão e demonstrava o anseio de marcar positivamente a história.
Eu, honestamente, talvez por torcer muito pelo Brasil, acreditei que uma conjunção de fatores, absolutamente insólitos, havia criado uma boa oportunidade ao País e que começaríamos uma nova fase, difícil, mas evolutiva.
Passados meses, tudo mudou e para pior: a enxurrada de delações não só abalou boa parte da equipe do presidente, muitos de seus aliados e colegas de partido, como a ele próprio que experimenta várias e várias citações de seu nome envolvido com corrupção, caixa 2 e afins.
A oposição já não tem dúvida de que Temer deve renunciar, e a sociedade lhe atribui o mais baixo índice de popularidade, assim como o mais alto de rejeição, deixando sua situação quase que insustentável. Ficamos agora, com três opções claras: Temer fica e supera isso tudo - torço por isso como ninguém, pois não há mais quem aguente empreender esforço, tempo e dinheiro com o que não é produtivo e não há nenhum reconhecido potencial salvador da pátria entre nós; Temer renuncia já e temos eleições diretas: mas em quem votaríamos?; Temer é cassado ou perde seu mandato no ano que vem e o Congresso escolhe novos presidente e vice: mas o Congresso escolher o novo presidente?
O cenário é triste e tudo pode acontecer. Resta aos atores dos micros e mínis sistemas o máximo de empenho e trabalho, a fim de que a junção desses multifacetados ambientes mantenha o País em pé, ainda que patinando, até que volte a caminhar. Que Deus, mais uma vez nos ajude!