Alguns tipos de políticos estão em extinção. E o Brasil comemora isso. Sim, estamos falando dos grandes nomes, craques em manobras, influentes por natureza, poderosos e líderes por excelência. José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Valdemar Costa Neto, entre outros, já não dão mais as cartas na política nacional.
Grandes políticos conseguem fazer "milagres', como ter apoios para projetos de lei, convencer deputados e senadores a aderirem uma ideia, negociar votos, formar esquemas, conquistar verbas milionárias de empresas. O poder deles é gigantesco, mas o brasileiro não quer mais ser refém desses representantes.
É o que se pode comprovar no cenário atual. O presidente do Senado, Renan Calheiros, parece ser o último dos grandes nomes deste tipo de político. Com a saída de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara, a política nacional perde um de seus agentes de manobra e estrategistas, mas ainda temos o presidente do Senado. O que Renan tem feito merece punição da sociedade. São manobras feitas nas madrugadas, sem discussão dos fatos, facilmente observada como jogadas particulares do presidente, que aproveita de sua influência na casa.
Dois atos mostram o perigo que é Renan Calheiros para o Brasil. Na votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, quando tudo caminhava para a punição que a maioria queria para a petista, Renan surgiu com uma manobra de última hora, que dava a Dilma de ser punida com a perda dos direitos políticos. Uma incoerência empurrada goela abaixo, já que se ela cometeu um crime de responsabilidade e deveria sim receber a punição e ficar inelegível. Uma espécie de "fiz o que pude", que salva qualquer amizade.
O último ato de Renan foi ainda mais vergonhoso, uma mostra de que ele joga para todos os lados, procurando no final ficar somente ele fortalecido. Após a votação do pacote anticorrupção, o presidente do Senado, novamente nas altas horas da madrugada, colocou para votação um projeto que pune juízes e promotores. Uma forma de contra atacar o judiciário, que com as novas medidas anticorrupção têm tudo para descobrir mais escândalos e prender mais corruptos.
No entanto, o Brasil tem uma chance incrível de mostrar sua sobriedade. Basta o Supremo Tribunal Federal (STF) cassar Renan Calheiros, que é investigado por desvio de dinheiro público e o Senado não aprovar a medida contra os juízes e promotores. Seria a prova de que estamos no caminho certo.