Do jeito que foi encaminhada a proposta de reforma da previdência não passa no congresso nacional. Exigir que um segurado contribua por 49 anos para que receba sua aposentadoria integral é condená-lo a não receber. Ao contribuir por 25 anos receberia apenas 76% de sua aposentadoria, com a idade mínima de 65 anos. Hoje a idade mínima é de 60 anos e o tempo de contribuição é de 15 anos, uma diferença gritante.
A alegação é de que se não houver reforma o sistema quebra. Será? Parece que na verdade o que se pretende com essa reforma é passar a conta do déficit público para o trabalhador. Que a previdência exige uma reforma é inegável, mas ela não precisa ser tão brutal e repentina. É evidente que a proposta foi exagerada e no congresso haverá mudanças, tudo já foi negociado e combinado entre o governo e o legislativo.
As mudanças atenuarão o rigor da proposta e alguns deputados e sindicatos sairão como heróis em defesa do trabalhador, tudo já previamente acertado. Um jogo de cena que não engana ninguém. Com a reforma talvez não haja nenhuma vantagem em contribuir para previdência. O fato é que o sistema é obrigatório e todo empregado formal está submetido ao regime, querendo ou não. Assim, ainda que um empregado não queira ser segurado do INSS ele não tem essa opção. Sendo empregado, ainda que a empresa não recolha um único centavo para os cofres da União, o trabalhador está segurado pelo INSS.
Algumas questões como o percentual da pensão por morte e a impossibilidade de acumulação de benefícios são tão óbvias que serão aprovadas sem dificuldades. Mas elevar o tempo de contribuição a praticamente toda a vida, trabalhar e contribuir por 49 anos é inimaginável. Para isso seria necessário começar a contribuir aos 16 anos e não parar um único mês até os 65 anos de idade.
Assim ninguém mais vai receber aposentadoria integral, como se fosse alguma fortuna o que o INSS pagasse. O que precisa mudar é aposentadoria dos servidores públicos.