Muitos apostam na queda do governo Temer. Acreditam que a delação do fim do mundo vai tornar Brasília uma terra arrasada. Será o fim do mundo de quem sempre viveu à base da corrupção. São todos aqueles que todo mundo já conhece, não haverá grandes surpresas. Alguns, talvez sejam novidade, mas só para o povo.
Essa delação não terá o condão de derrubar o governo Temer. O que derruba um governo é a falta de comando e de resultados positivos para maioria da população, e não a corrupção. Até porque a corrupção é endêmica e enraizada, ao arrancá-la de uma vez só não sobra nenhuma instituição nesse País. Se até em empresas privadas há corrupção, quanto mais no Poder Público.
O que se assiste na Lava Jato ocorre em todas as esferas de Poder. O que temos hoje é a esperança de que essa prática institucionalizada e até celebrada, seja freada e inibida. Que haja uma mudança de conduta, que a política e os políticos sejam inibidos para o ilícito, e senão, não sejam tão escandalosos e explícitos como fizeram os que estão guardados em Curitiba.
Eliminar totalmente a corrupção é impossível. Como na parábola do joio e do trigo, se não dá pra arrancar, deixei crescer e separe na colheita. É isso que devemos fazer, continuar combatendo e principalmente não aceitando a corrupção, mas sem a ilusão de que os próprios corruptos vão se trancar nas celas para cumprir voluntariamente suas penas.
É inegável o avanço brasileiro, ainda que pontual, no combate a corrupção. É inegável o papel emblemático da operação Lava Jato e como ela se tornou um paradigma. Outras operações avançam pelo país e o que esperamos é que o Ministério Público Estadual faça o mesmo.
Temer só cai se a economia não der sinais sensíveis de melhora. Se ele acordar e adotar medidas rápidas para retomada da atividade econômica encurralando o sistema financeiro, o único que até hoje não perdeu, fica até o fim do mandato, mesmo atropelado pela delação do fim do mundo.