O Ministério Público Federal (MPF) denunciou ontem à Justiça o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o filho dele, Luiz Cláudio Lula da Silva, pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Zelotes, da Polícia Federal. De acordo com a acusação, Lula "integrou um esquema que vendia a promessa" de interferências no governo federal para beneficiar empresas. Trata-se da quarta denúncia criminal contra o ex-presidente. 
As investigações, segundo a denúncia, apuraram que Lula, seu filho, e os consultores Mauro Marcondes e Cristina Mautoni participaram de negociações irregulares no contrato de compra dos caças suecos Gripen e na prorrogação de incentivos fiscais para a prorrogação de incentivos fiscais para montadoras de veículos. Segundo o MPF, Luís Cláudio recebeu R$ 2,5 milhões da empresa dos consultores.
A Operação Zelotes investigou a manipulação de processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) - órgão colegiado do Ministério da Fazenda, última instância administrativa dos processos fiscais. De acordo com as investigações, empresas de advocacia e consultorias influenciavam e corrompiam integrantes do Carf. Dessa forma, manipularam o trâmite e o resultado de processos e de julgamentos envolvendo empresas interessadas em anular ou diminuir os valores dos autos de infrações emitidos pela Receita Federal. A reportagem da Agência Brasil entrou em contato com a defesa do ex-presidente Lula, mas não obteve retorno até o início da noite de ontem. Segundo a denúncia, "não há dúvidas" de que Lula tinha conhecimento sobre as estratégia utilizada pelos consultores.
Delação
Os primeiros depoimentos da Odebrecht, após assinar o acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato, apontam repasses milionários para diversos políticos do País. Entre eles, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que teria recebido caixa dois, em dinheiro vivo, nas campanhas de 2010 e 2014. José Serra, hoje ministro das Relações Exteriores, também teria recebido repasses para a campanha presidencial tucana de 2010. Já o presidente Michel Temer teria pedido repasses para integrantes de seu partido, o PMDB. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. Os denunciados negam.