A corrupção tem gerado uma série imponderável de consequências e desdobramentos para o Brasil. Se considerarmos tempo, energia e recursos financeiros despendidos com as acusações, investigações, denúncias, abertura de ações judiciais, instruções, tramitações de processos e afins ficaremos estupefatos de quanto de produtivo perdemos e ainda perderemos, mas, pelo menos, é uma perda que visa a eliminação ou a minimização de perdas maiores e fisiológicas de nossos sistemas.
Agora, quando olhamos para alguns reflexos dessas ações de combate à corrupção, assustamos mais ainda, pois estamos numa situação tão delicada que qualquer pequeno erro de decisão que se some a esta crise pode ter impacto desastroso para o País.
Assim é que enxergo o trato dado às grandes empreiteiras brasileiras: praticamente, todas estão envolvidas no nefasto esquema montado há tempo e, portanto, tiveram seu direito de operar cerceado, ficando em grave situação de mercado, com obras interrompidas, novos contratos travados e dívidas se avolumando; várias delas, deixando de cumprir os compromissos de curto prazo.
É óbvio que seus presidentes, executivos e outros têm que ser devidamente punidos pela corrupção que restar provada contra si, mas não vejo como algo sensato e bom para o País, punir as empresas, indiscriminadamente, e/ou com o viés de obstruir sua sequência de operação, impedindo o fornecimento para o governo, o que significaria sua morte decretada.
Seria um trabalho tremendo, manter a operação dessas grandes companhias com um mínimo necessário de segurança para não haver qualquer possibilidade de privilégio para quem, gravemente, prejudicou o País. No entanto, a estrutura, o know-how, os bons profissionais e a capacidade produtiva têm que ser considerados e preservados, a bem da própria nação, afinal, é ilusão pensar que seria possível substituir a atuação dessas empreiteiras, mesmo por outras internacionais, no prazo necessário para que a falta das grandes obras não seja outro duríssimo golpe numa nação já cambaleante.
Assim, tanta energia despendida para investigar e punir deveria ser o paradigma para que outro tanto de energia fosse destinado a manter e/ou recuperar as empresas que podem executar as grandes e necessárias obras do Brasil, sem nunca deixar de disciplinar e condenar o necessário.