Nesta última semana é grande a expectativa para o fim de 2016, principalmente diante das turbulências no cenário político do País, os graves casos de corrupção, os números pouco animadores da economia e as grandes tragédias como a queda do voo da Chapecoense e o primeiro ano do desastre ambiental ocorrido em Mariana, Minas Gerais, sem que ninguém tenha sido devidamente punido.
Este não foi um ano fácil, seja para qual aspecto olhemos. Mesmo o Natal, considerada a principal data para o comércio, em que muitos acreditavam ter a oportunidade de recuperar as vendas perdidas ao longo dos meses, deixou a desejar. Como afirma a presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes, Tânia Fukusen Varjão, em um balanço prévio, os consumidores preferiram comprar menos presentes e escolheram itens mais baratos.
Nos shoppings, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), houve queda de 3% nas vendas, número pouco pior que o ano anterior, quando a redução foi de 2,8%. A situação é complicada, o que diminui a confiança na recuperação da economia, mesmo com as medidas anunciadas recentemente pelo governo federal, que incluem até corte nos juros dos cartões de crédito.
E, com a proximidade de 2017, a preocupação vai além dos desafios econômicos, a corrupção que assola o País, a impunidade em Minas e a indignação diante de um acidente aéreo tão grave provocado por uma pane seca, pela simples falta de combustível, são situações que nos levam a questionar também os valores que conduzem a nossa sociedade.
Assim como afirmou o professor e sociólogo Afonso Pola, articulista do jornal Mogi News, em diversas ocasiões, os personagens de nossa política envolvidos com corrupção, que são revelados nas frequentes operações do Ministério Público e da Polícia Federal, nada mais são do que pessoas do nosso "belo quadro social". E, em como qualquer outo segmento, há pessoas "muito íntegras", "pouco íntegras" ou "nada íntegras".
Que o novo ano nos faça pensar em quais valores temos priorizado, no que estamos repassando para a próxima geração, e avaliar o que deve permanecer ou não. Especialistas ressaltam a importância do exemplo para a formação de crianças e jovens, que repetem padrões, atitudes adotadas pela família, e assim deveria ser também em qualquer área de atuação. É o exemplo que faz a diferença, então que ele seja positivo, pautado pela ética nas ações, e não pelo famoso "jeitinho", pela busca do caminho mais "fácil", para que tenhamos realmente um ano novo.