O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi citado esta semana em depoimentos de ex-diretores da Odebrecht durante delação premiada para a Justiça. Segundo os delatores, o político teria recebido dinheiro ilegal durante campanhas eleitorais. Além disso, o nome do governador "apareceria" em um possível esquema envolvendo a duplicação da rodovia Mogi-Dutra (SP-88), em 2002.
No início do ano, o Grupo Mogi News já havia publicado matéria informando sobre um possível codinome, ligado a algum político, em planilhas apreendidas pela Polícia Federal durante a Operação Lava Jato. A investigação tenta descobrir e provar que a Odebrecht pagou propina para mais de 200 políticos no País durante a realização de obras para diversos governos.
De acordo com a reportagem publicada na ocasião, em uma das folhas apreendidas e datada de 2002, um executivo da Odebrecht escreve que a obra da Mogi-Dutra teve custo de R$ 68.730.000,00 sendo "95% do preço do DER" (Departamento de Estradas de Rodagem). Logo abaixo é informado que os R$ 3.436.500,00 foram destinados para o "santo", o que poderia indicar um político beneficiado pela quantia. Ontem, um dos delatores informou que o "santo" seria o codinome para Geraldo Alckmin.
A assessoria de Imprensa do governador já respondeu ao assunto em outras situações, alegando que o codinome "santo" aparece em outros contratos apreendidos pela polícia e que não estão ligados ao governo de Alckmin, ou seja, seria de outra pessoa e não ele. Sobre os pagamentos durante eleições, a pasta afirmou que todos contratos com empresas foram realizados de acordo com a lei.
Pelo menos 77 funcionários da Odebrecht iniciaram, nos últimos dias, suas delações. O depoimento mais aguardado é o do ex-presidente do grupo Marcelo Odebrecht, preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba em junho de 2015. Para terem validade, os acordos de delação premiada ainda precisarão ser homologados pelo ministro Teori Zavaski, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).