Em tempos de crise, os ânimos esquentam e extrapolam a racionalidade, justamente quando deveria ser o contrário, pois, apenas com serenidade serão alcançadas soluções.
Cresce a minha preocupação com a imaturidade da nossa sociedade, que pode ser, até, chamada de infantilidade. Crianças fazem de tudo para alcançarem um objeto de desejo e, quando o adulto nega, a criança se revolta e o adulto é "bobo, feio, chato, burro, etc". A criança não possui maturidade para entender os motivos do adulto, muito menos para questionar a decisão do adulto com argumentos racionais. Os pequenos apenas extravasam sua raiva e agridem.
Vivenciamos um momento delicado na nossa república, que se baseia na tripartição de poderes. Faz parte da teoria do Estado a possibilidade de que exista o risco de conflito entre os três poderes, tendo em vista que são extremamente poderosos (desculpem pelo pleonasmo) e possuem a responsabilidade de controle mútuo, sem ingerência.
O Senado se recusou a cumprir de imediato uma decisão monocrática de um ministro do Supremo Tribunal Federal para o afastamento do presidente da casa. Aguardou-se, então, a decisão do plenário da Corte sobre a liminar. O comentado caso Renan Calheiros.
Em uma situação dessas, certamente, a melhor solução é que prevaleça o texto da Constituição Federal, para que exista segurança jurídica. E foi o que ocorreu. O plenário decidiu que, o senador não seria afastado, mas que não pode estar na linha sucessória da Presidência da República, enquanto réu em ação penal.
Ao meu ver a decisão foi correta. Na CF não está escrito que o réu em ação penal não pode ser presidente do Senado, está escrito que não pode ser presidente da República. Eis a decisão do STF. Respeito os argumentos contrários.
A questão principal, aqui, é o comportamento da sociedade, que não é madura para discutir o conteúdo da decisão e, como a criança birrenta, apenas se revolta por não ter alcançado o que queria e xinga: "corruptos, conspiradores, etc".