Entra ano, sai ano, e a Aids continua sendo um dos principais problemas da saúde pública no mundo todo. Imaginávamos, na década de 1990, após aumento do número de mortes de pessoas contaminadas na década anterior, que o problema seria minimizado, mas novos dados apontam para uma redução tímida de casos no mundo todo e um aumento em ocorrências na América do Sul. Hoje, são 36,7 milhões de pessoas vivendo com a doença no planeta.
Pelo menos a nossa região apresentou uma redução: entre 1º de janeiro e ontem, 267 pessoas foram diagnosticadas com Aids. O número é 31,5% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando 390 pacientes com a doença foram identificados.
Suzano foi a cidade que registrou a maior redução, sendo 68,7% ao todo. Mogi das Cruzes, por sua vez, diagnosticou 75 novos pacientes este ano, contra 114 em 2015, uma redução de 34,2%. Seguindo na contramão, Arujá e Guararema apresentaram elevação de 116,6% e 66,6%, respectivamente.
No total, a população vivendo com Aids no Brasil passou de 700 mil para 830 mil entre 2010 e 2015, com 15 mil mortes por ano. E se já é preocupante o fato de a América Latina ter um aumento da doença, pior é saber que o Brasil, sozinho, conta com mais de 40% das novas infecções no continente.
Dados publicados nesta semana pela UNAids, programa da Organização das Nações Unidas (ONU), revelam que se 43 mil novos casos eram registrados no Brasil em 2010, a taxa em 2015 subiu para 44 mil. Em termos globais, a agência de combate à Aids aponta que o número de novas infecções pelo mundo caiu apenas de forma modesta, de 2,2 milhões em 2010 para 2,1 milhões em 2015. No Brasil, apenas 6% do orçamento seria usado para programas de prevenção e das 830 mil pessoas vivendo com a doença, 452 mil estariam recebendo a terapia, cerca de 55%.
Talvez o caminho seja focar ainda mais nos grupos potencialmente vulneráveis. Homens que mantêm relações sexuais com outros homens têm 24 vezes mais chance de serem contaminados do que a média da população, a mesma taxa que usuários de drogas injetáveis. Já prostitutas têm dez vezes mais chances e prisioneiros, cinco vezes mais. No total, esses grupos representam um terço das novas contaminações no mundo.Talvez aí esteja a raiz do problema.
O alerta está ligado e se não houver uma solução para o problema por parte de órgãos responsáveis e, principalmente, a colaboração da população, a epidemia se tornará incontrolável.