Em meio a tantos percalços pelos quais passa o Brasil, como a grave crise econômica e política, com denúncias de corrupção envolvendo o alto escalão do governo, também o presidente Michel Temer (PMDB), o Legislativo e o Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), esses órgãos citados vivem uma verdadeira queda de braço, deixando de lado as questões verdadeiramente importantes para a retomada do crescimento do País.
A relação entre os poderes vem piorando desde o pedido de afastamento de Renan Calheiros (PMDB) da presidência do Senado feito pelo ministro do Supremo Marco Aurélio de Mello. A Mesa Diretora da Casa achou por bem não cumprir a decisão, e o próprio Renan evitou o quanto pôde o oficial de justiça. Não foi levado em conta que processo semelhante ocorreu com Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, e hoje preso em Curitiba (PR).
O fogo cruzado resultou em abrandamento da decisão de Mello, e Renan foi apenas afastado da linha sucessória da presidência em votação no plenário do Supremo. Então, a determinação judicial, desta vez favorável ao presidente do Senado, pôde ser respeitada. Com a vitória, em uma possível "retaliação", a atenção dos parlamentares se voltou para o projeto de lei sobre abuso de autoridade que endurece as punições, com foco principalmente no Judiciário.
O último episódio desta novela tem como protagonista o ministro Luiz Fux, que anteontem suspendeu a tramitação do projeto de lei anticorrupção, atualmente em discussão no Senado. De acordo com sua decisão, o projeto de iniciativa popular deve retornar à Câmara, perdendo efeito tudo que foi definido até o momento, inclusive as alterações propostas por deputados e aprovadas em uma sessão na madrugada.
A decisão de Fux foi bastante criticada por deputados e senadores, que o acusam de interferência no trabalho legislativo, e até mesmo o ministro Gilmar Mendes se manifestou contrário, ao que chamou de "surto decisório". O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), afirmou que deve encaminhar defesa do processo legislativo ao Supremo. Um embate que segue longe do fim.
A própria presidente do Supremo, ministra Carmen Lúcia, afirmou ontem que espera que o ano termine em paz. Algo difícil diante desta queda de braço, que ofusca a verdadeira crise. É preciso ir além da disputa entre as instituições e se pautar pelos interesses do País, e a situação preocupante que se apresenta para 2017, com perspectivas de baixo crescimento econômico e índices de emprego em queda.