Ainda que o Poder Público tenha enrijecido as penalidades contra condutores infratores no trânsito, a partir de multas com valores mais salgados, para alcançar a eficácia, principalmente, na redução do número acidentes que fazem tantas vítimas diariamente Brasil afora, é necessário que se aprimore e se amplie a fiscalização. Não apenas relacionada ao controle de velocidade com equipamentos fixos, móveis e estáticos, mas também com os agentes responsáveis nas vias públicas, atentos a como as pessoas se comportam no trânsito.
Uso do celular ao volante e condução do veículo sob efeito de álcool, por exemplo. De nada adianta agravar ainda mais as penas para quem for flagrado dessa forma se não houver fiscalização eficiente nas ruas, avenidas e rodovias. São dois aspectos indissociáveis, um não tem como existir sem o outro. Os motoristas devem ter ciência não apenas de que as multas estão mais caras, mas também de que tem mais agentes de olho.
É essa sensação de cerco fechado aos irresponsáveis e desatentos no trânsito que deve se criar. Claro, isso se o objetivo das autoridades for mesmo esse e não apenas engordar os cofres públicos com dinheiro do contribuinte. Conscientizar e educar, assim deveria ser tratada a fiscalização no trânsito brasileiro.
Um levantamento realizado pena Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) mostrou um dado alarmante em relação à capital paulista e que pode servir de base para outras cidades também: 42% das pessoas que morreram no trânsito paulistano haviam consumido bebida alcoólica horas antes do acidente. E a situação piora quando são considerados apenas motoristas e outros ocupantes dos veículos, elevando o índice para quase 60%.
É algo tenebroso em tempos de se lutar por um trânsito cada vez mais seguro. A impressão que se tem é de que nunca muda. Mesmo com tantas campanhas e penalidades mais pesadas, inclusive com prisões, ainda assim os números continuam altos. As autoridades em todos os níveis precisam rever esse cenário e pensar em alternativas para coibir essa mortalidade. O aumento da fiscalização e de ações para tornarem-na mais eficiente é um caminho.
Parece que, infelizmente, ainda não se conseguiu chegar a todas as camadas da sociedade com esse alerta, a despeito de tantas campanhas, principalmente na televisão, com inserções que trazem imagens impactantes e fortes, para chocar realmente as pessoas e chamá-las à responsabilidade de serem mais conscientes no trânsito.