A eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos é um evidente choque nas relações internacionais. Para o Brasil, o impacto é significativo, mas bem menor do que será para a Europa e países árabes, por exemplo.
Regionalmente, a vitória do bilionário traz incerteza e insegurança para o México e o Caribe, que são mais dependentes da economia norte-americana. Em especial, por disseminar tensão entre imigrantes e turistas.
No nosso caso, apesar de parceiro importante, o Brasil não é completamente dependente da economia americana, além de a relação comercial ser equilibrada. Mesmo o Democrata, partido de Obama, sendo mais simpático ao Brasil, a Casa Branca não liberalizou o mercado para produtos brasileiros como desejado.
Em que pese as relações diplomáticas e comerciais terem se tornado mornas, o Brasil tem uma excepcional relação financeira com os Estados Unidos. O Brasil é um grande fornecedor de turistas, ao passo que os Estados Unidos têm relevantes investimentos diretos no Brasil.
Provavelmente, a diplomacia brasileira deve se manter longe da polêmica inicial decorrente da eleição de Trump, até porque nossa posição na lista de prioridades do novo presidente não é relevante.
Ao comentar a vitória de Trump, o Itamaraty lembrou, entretanto, a existência de novas oportunidades mutuamente proveitosas, a serem exploradas entre Brasil e EUA em investimentos, energia, educação, inovação e tecnologia, combate ao crime organizado, transparência e eficiência regulatória, infraestrutura e promoção dos negócios.
Ainda assim, se já não éramos prioritários no campo diplomático para os americanos, continuaremos a ser periféricos. O que, considerando as circunstâncias, é mais conveniente para o país.
Caso a escolha de Trump signifique um afastamento mais agudo dos Estados Unidos na região, a China poderá ampliar sua área de influência, estimulando investimentos em infraestrutura e ampliando o comércio com a região. Fato que pode estimular ainda mais as relações entre o Brasil e a China.