Um século é o tempo que o Brasil levará para equiparar a condição salarial de homens e mulheres. O País exibe uma das maiores diferenças de remuneração entre gêneros do planeta. A projeção consta do Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2016 do Fórum Econômico Mundial.
Dos 144 países avaliados, o Brasil fica na 129ª posição, no quesito de igualdade de salários entre gêneros. O País está pior que nações repudiadas por violações aos direitos das mulheres, como Irã, Iêmen e Arábia Saudita. No panorama geral, quebrar a diferença entre gêneros é uma missão para 104 anos.
A disparidade econômica entre homens e mulheres é um dos fatores que mais impede o avanço nacional no ranking. Nesse aspecto, o Brasil é superado por China, Camboja, Chade e até o Paraguai, entre outros. O salário médio de uma brasileira com nível superior equivale a 62% da renda mensal de homens com a mesma escolaridade. Para completar, a presença de brasileiras no mercado de trabalho corresponde a 62%, enquanto a dos homens atinge 83%. 
A reversão do quadro passa pela adoção de estratégias pragmáticas que promovam a inclusão das mulheres no mercado de trabalho bem remunerado e na política. Já existem mais mulheres do que homens se graduando nas universidades.
A efetiva inclusão das mulheres no mercado de trabalho, com remuneração compatível, passa também pela oferta de educação infantil de qualidade e em número suficiente. Como a mãe vai trabalhar se não consegue vaga em creche para o filho? Em Mogi das Cruzes, o atendimento em creches já supera mais da metade da população infantil com até 3 anos. No País, o benefício não chega a 30% da demanda.
A paridade de gêneros é o caminho natural da evolução. Educação e religiosidade são fundamentais na construção da ponte no abismo das diferenças. Os avanços conquistados até hoje são resultado da persistência e do trabalho das mulheres brasileiras. Só confirmam a necessidade de combater o desperdício de talentos tão latentes na população feminina.