É óbvio que a intolerância está presente na sociedade, mas estamos experimentando algo muito particular nestes tempos pós-modernos, sobretudo em função da velocidade da comunicação.
Se antes, esses sentimentos e comportamentos ficavam confinados no âmbito em que ocorriam e restritos àqueles que experimentavam suas manifestações, hoje, em segundos, um discurso nesse sentido é conhecido. Imagens e vídeos escancaram as ações de intolerância e violência daqueles que em alguma medida e por algum ou outro motivo ou mesmo sem motivo algum, nutrem e praticam esses detestáveis atos.
Aqui há um perigo adicional que é a má interpretação e a distorção de muito do que se fala e escreve, pois o politicamente correto, como que numa reação extrema à intolerância, leva as pessoas a condenarem posições, princípios e conceitos legítimos, ainda que dissonantes do que o outro quer. Não há, que se confundir a pluralidade legítima de ideias, a discordância sincera e admissível, com intolerância.
Penso que não devemos abrir mão de nossas convicções só por causa de uma onda da mídia ou de um pensamento pretensamente dominante, muitas vezes, em detrimento do direito individual e, até, da própria maioria. A questão é complexa e não deve ser mal interpretada, da mesma maneira que a intolerância e o ódio de alguns não devem ofuscar a legitimidade de estabelecer limites por outros tantos que enxergam a vida de maneira mais conservadora.
Em última instância, o que temos comprovado, de uma maneira especial no Brasil desde as eleições de 2014, e agora nos Estados Unidos com as eleições presidenciais, é que as pessoas não conseguem se colocar no lugar das outras e o "danem-se os outros" caminha a passos largos. O simples exercício de nos colocarmos no lugar do outro já nos ajudaria a controlar os impulsos e primitivos instintos que tanto têm pressionado negativamente o homem moderno.