A regra básica do jornalismo é responder a seis perguntas sobre um acontecimento: o que, quem, quando, como, onde e por quê. No momento de uma tragédia como essa que vitimou mais de 70 pessoas, sendo a maioria atletas, comissão técnica e dirigentes da Chapecoense, além dos jornalistas que cobririam a partida final da Copa Sul-Americana, na Colômbia, todas as perguntas serão investigadas, mas uma delas nunca terá a resposta que esperamos: por quê?
Infelizmente, o ano de 2016 ficará marcado por duas enormes tragédias. Esta com o time de Santa Catarina e o acidente na rodovia Mogi-Bertioga (SP-98), no mês de junho, quando 18 universitários morreram. Nas duas ocorrências, as vítimas eram jovens em sua maioria, cheios de saúde e sonhos. A história do time da Chapecoense é típica de um enredo vitorioso para um filme ou livro. A equipe subiu para a primeira divisão do futebol brasileiro há dois anos e surpreendeu grandes equipes. Mais do que isso, o clube chegou a uma final sul-americana.
Imagens publicadas ontem nas redes sociais, principalmente depois da conquista da vaga na final do torneio, mostram que o time parecia muito unido, respirando confiança e feliz com os feitos realizados. Eles estavam no auge da história do clube.
A morte tem suas várias faces e, sem dúvida, a causada por um acidente é uma das mais impactantes. É aquela que te pega de surpresa, vem sem avisar, e deixa todos desnorteados. Mais do que dor e pena sentida nesses instantes, o que ficará é um vazio, um buraco que queremos preencher com alguma resposta, mas não a encontramos.
De certo, alguns acreditam na vida após a morte, em um lugar melhor, outros creem apenas que o fim é mesmo o fim. Independentemente das crenças, não há como negar que acidentes como estes, como o de Santa Maria (RS), o da Mogi-Bertioga, a queda da barragem em Mariana (MG), aquele com o avião da TAM na década passada, o 11 de setembro, os atentados na França, deixam em nós um sentimento de tristeza, que parece nos avisar que não há nada que não possa acontecer nesta Terra, que não temos o controle da vida. Enfim, nos deixam divagações, mas nunca uma resposta final sobre o assunto.
A resposta prática pode até ser encontrada. Uma falha no motor, um curto circuito, um erro do piloto. Porém, não são estes os porquês que nós queremos. Neste momento, o jornalismo foca em apenas cinco perguntas e tenta mostrar fatos que poderiam ser evitados, as histórias das vítimas, as homenagens prestadas, mas nunca uma resposta pelo ocorrido.