No final das conversas sobre a crise brasileira que demandam uma conclusão quanto ao que fazer, costumo dizer que o que resta aos honestos e dignos é trabalhar. Talvez a constatação e o alerta quanto à profundidade da crise não sejam simpáticos a muitos dentre nós, os quais ou não aguentam mais ouvir falar nisso ou, simplesmente, preferem o otimismo, independentemente de qualquer coisa, mas penso que para enfrentar as situações adversas é preciso partir de um diagnóstico correto e, no nosso caso, não há como fechar os olhos para a pior crise que o país já enfrentou nos vários âmbitos: político, econômico-financeiro, social e também moral.
Instituições diversas, muitas empresas, a maior parte dos municípios e Estados e a própria União não têm dinheiro para honrar seus compromissos; muitos deles estão sem condições sequer de pagar as folhas de pagamento. O governo federal é a única que tem a vantagem de poder emitir moeda e/ou baixar alguma medida provisória para enfrentar seus reveses - é claro que isto também tem maus efeitos para o mercado - no entanto, os demais não têm saída, a não ser reduzir ao máximo seus custos e despesas, emprestar recursos e produzir muito para transpor o vale.
Os prefeitos que assumem a administração dos municípios em janeiro têm diante de si um dos maiores desafios em gestão pública da história do Ppaís. Penso que a saída é o trabalho exercido com máxima produtividade e qualidade e menor custo. Os gestores do momento terão que ser artistas no sentido de envolver e convencer seu pessoal a trabalhar mais, sem a perspectiva de maior remuneração e sob a pressão de não permitir que o barco afunde.
Se as equipes estavam em zona de conforto, se o funcionalismo público estava operando menos do que deveria e produzindo pouco, será a hora de reverter o quadro através de mais trabalho e dedicação. Não há um órgão ou uma instituição sequer que não precise de mais trabalho de seus colaboradores neste momento. A saída para o Brasil está na dignidade do trabalho: agora, vale a lei do máximo esforço!