Costumeiramente as urnas retratam o sentimento dos eleitores. Isso vale para o Brasil e o mundo. Consideradas algumas exceções, o que costumamos ver é a vitória eleitoral de quem é bem avaliado ou de quem é apoiado por alguém bem avaliado. Se as coisas estão bem ou parecem bem, a tendência do eleitor é manter do jeito que está.
As eleições de 2016 encerradas neste domingo apresentaram resultados que expressam essa máxima e algumas exceções que confirmam a regra.
O PT, partido mais atingido pelo escândalo da Lava Jato e pelos desgastes provocados pela intensa crise econômica, colheu um resultado mais adverso do que o imaginado por suas lideranças. Foi o pior desempenho em capitais desde 1985 (elegeu apenas o prefeito de Rio Branco) e, comparado com a eleição de 2012 o partido perdeu sete de cada dez votos recebidos. Em 2012 elegeu 635 prefeitos e agora apenas 256.
Na outra ponta, o PSDB aparece como o partido mais beneficiado pela conjuntura econômica e política do Brasil. Aumentou em 17% o número de prefeituras, incluindo 28 cidades com mais de 200 mil eleitores, entre elas 7 capitais. Prefeituras de importantes cidades do Estado de São Paulo ganhas pelo PSDB indicam, pelo menos por enquanto, o fortalecimento do governador Geraldo Alckmin na corrida pela vaga de candidato à presidência em 2018. Da mesma forma, a derrota deste partido em Belo Horizonte enfraquece ainda mais o já enfraquecido Aécio Neves.
O PMDB sai mais ou menos do mesmo tamanho, enquanto teremos importantes cidades governadas por partidos chamados nanicos, como é o caso de Belo Horizonte com o PHS, PMN em Curitiba e PRB no Rio de Janeiro.
Para além dos números que medem o desempenho de cada legenda é preciso destacar um fato que muito caracterizou esta eleição. Com o desgaste das legendas e dos políticos de uma forma geral tivemos um verdadeiro recorde de candidaturas políticas com discurso de negação da política. Dória, eleito em São Paulo, é a maior expressão disso, mas não foi um caso isolado. Pelo Brasil afora tivemos campanhas assim.
Números somados e divididos resta saber como o todo revelado pelas urnas vai repercutir na vida política do país até 2018. O desempenho desses prefeitos, os rumos do atual governo, as pretensões do Temer e o comportamento da economia são importantes aspectos que irão desenhar nosso caminho até 2018.