O tema da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano chamou bastante a atenção de muitos candidatos e educadores: "Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil". Nada mais oportuno do que dar a oportunidade para mais de 5 milhões de pessoas exteriorizarem aquilo que pensam sobre este assunto. Claro que a preocupação era realizar a prova como forma de obter nota para disputar o ingresso em instituições de nível superior, principalmente nas públicas. Mas, ao mesmo tempo, trouxe à tona uma problemática que fez muita gente pensar a respeito.
Em um País tão plural como o Brasil, em todos os aspectos, desde a sua origem, com tantas raças e crenças, que foram fundamentais para o surgimento de uma das culturas mais ricas do mundo, é um contrassenso muito grande haver intolerância religiosa. Mas existe, é arraigada na população e, mesmo em pleno século 21, aparenta ser resistente e persistente. O pior de tudo é que ela é praticada justamente por quem, em tese, não deveria praticá-la, ou seja, aqueles que professam algum tipo de religião.
Não existe verdade absoluta. Cada ponto de vista pode ser uma verdade para um determinado sujeito ou grupo de pessoas, porém não é uma regra. O que é bom para você pode não ser para o outro. Incutir aquilo que acredita no próximo ou julgá-lo porque ele não pensa igual a você não faz dele alguém ruim, condenado à danação eterna. Mas ser humano é ser humano. Ainda que sua busca seja a de se "religar" a um ente supremo, na prática muita gente faz o contrário.
E no Brasil isso é inadmissível. Um País com forte presença e influência da cultura trazida pelos negros ainda tem quem não respeite as religiões afro-brasileiras. Para qualquer lugar que se olhe algo relacionado está lá, na comida, nas expressões, no vestuário.
Ainda que durante muito tempo no Brasil a Igreja Católica fosse preponderante na vida das pessoas, a única praticamente presente, há muitas anos diversas religiões se desenvolveram por aqui: protestantes, pentecostais, espíritas, budistas, além da umbanda, candomblé, etc.
Mais importante do que tentar incluir ensino religioso nas escolas, por exemplo, como é muito comum observar de tempos em tempos, é ensinar aos alunos, desde pequenos, a necessidade do respeito à liberdade e à diversidade religiosa, bem como ao livre pensamento do outro. Enquanto houver quem queira impor a sua religião como a melhor e a mais verdadeira, nada mudará.