O trunfo do republicano Donald Trump na eleição presidencial dos Estados Unidos surpreendeu o mundo. Até o início da madrugada de quarta-feira, a democrata Hillary Clinton liderava a corrida eleitoral, mas a inesperada virada aconteceu. Trump faz parte de um grupo de candidatos que alcançam cada vez mais sucesso e confiança no mundo todo, pois representa a figura do gestor e antipolítico.
O ano de 2016 foi marcado pelas eleições municipais no nosso País, e esta figura de gestor se mostrou muito forte nas urnas. O futuro prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), baseou toda sua estratégia de campanha na figura do administrador. O discurso "não sou político, sou gestor" emplacou outros candidatos com este perfil, como Marcelo Crivella (PRB), na cidade do Rio de Janeiro, e Alexandre Kalil (SD), em Belo Horizonte.
No Alto Tietê não foi diferente. Em Mogi das Cruzes, o prefeito eleito Marcus Melo (PSDB) nunca teve um cargo político. Em Guararema, o jornalista Adriano Leite (PR) venceu com tranquilidade. Em Itaquá, o médico Mamoru Nakashima (PSDB) também foi reeleito. Em Arujá, o candidato escolhido, o médico José Luiz Monteiro (PMDB), e o advogado Luis Camargo (PSD) travaram a principal batalha pela prefeitura. Em Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR), engenheiro de formação, mas que atua como empresário, foi para o segundo turno e derrotou com surpreendente facilidade o concorrente Israel Lacerda (PTB) - ex-vereador e ex-presidente da Câmara.
Guardadas as devidas proporções, esse quadro mostra como a população está cada vez mais desconfiada e insatisfeita com a classe política. Mas se por um lado o discurso é verdadeiro, por outro, pode ser visto como uma estratégia para se distanciar desta classe tão sem crédito, com objetivo de angariar votos.
Uma vez eleitos, os candidatos gestores, ou até mesmo antipolíticos, precisarão fazer o "jogo" imposto pelo sistema, já que não há como conduzir a gestão pública sem conversar com os partidos e fazer alianças. Medidas simples, como a aprovação de um projeto na Câmara, dependem disso. Caso contrário, eleger esses nomes seria como colocar no poder o palhaço Tiririca, um antipolítico que, apesar da assídua presença no Congresso Nacional como deputado federal, não consegue ter um projeto seu sequer aprovado.
O tempo dirá se esses gestores têm condições realmente de fazer administrações mais produtivas ou se foi somente uma mera estratégia para tentarem se diferenciar de seus concorrentes perante os eleitores nas urnas.