As palavras podem servir para não dizer. Elas, para se realizarem plenamente, precisam de um complemento: a compreensão de quem lê, de quem ouve.
Na cena pública atual, mais do que dizer, propor, expressar pontos de vista, muitos preferem vociferar, gritar seus dogmas, proclamar verdades absolutas. Ganhar no grito.
A título de provocação à reflexão, desfilo expressões de uso comum que podem ser bem enganosas. 
Quando alguém fala em "classes produtoras", por exemplo, a referência é sempre aos empresários, aos detentores das terras e fábricas, dos meios de produção. Então os que lavram, constroem prédios e estradas ou fabricam objetos não são "produtores"?
Os projetos da "escola sem partido" pressupõem que há escolas "com partido". Na verdade, o que nossa rica cultura pedagógica consolidou é a educação que "toma partido", isto é, ajuda o alunado a descobrir o mundo e criar uma reflexão crítica sobre ele, ao invés de aceitá-lo passivamente como é.
Quem acusa, com raiva, os "defensores de bandidos" está, muitas vezes, revelando desprezo aos Direitos Humanos e cristalizando a noção de que quem delinquiu não merece viver e ter chance de se recuperar. Clamar por direitos não é estimular o crime, mas o contrário: pugnar por uma Justiça que possa corrigir e reintegrar. Além do mais, como dizia Gandhi, "na linha do olho por olho, em breve tempo estaremos todos cegos". O "fora da lei" costuma agir de forma violenta e irracional. O Poder Público tem o dever da racionalidade.
Quando se fala de "ideologia de gênero" está se tentando castrar algo fundamental: todo(a)s têm direito ao autoconhecimento, à construção de sua identidade, da qual a sexualidade faz parte, nas suas diferentes manifestações. Essas informações, no ambiente escolar, ajudam a construir uma sociedade mais saudável.  
Por fim, nunca é demais repetir que o maior garantidor do direito de crença e de não crença é o Estado Laico, tão ameaçado pelos que entendem como "missão" combater os "hereges" e expandir o poder político de sua igreja.