Ainda falta muito para garantir políticas públicas direcionadas ao tratamento digno dos animais. Mas quando vejo as ações desenvolvidas em Mogi das Cruzes sinto orgulho dos avanços. No ano 2000, com a ajuda da população, preparávamos o Plano de Governo Participativo (PGP). Elencamos a implantação de um local apropriado para atendimento de cães e gatos abandonados na lista.
Quando chegamos à prefeitura, sabíamos que os animais recolhidos eram levados para o tal do "barracão". A realidade era bem pior. Não bastassem as instalações absurdamente precárias, não havia pessoal especializado. Ou seja, nem um único médico veterinário. Os bichinhos apreendidos eram mandados para laboratórios de pesquisas.
Saber dessa barbaridade me arrasou. Interrompi as remessas para laboratórios, contratei veterinários e comecei a cruzada para viabilizar a implantação de um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Em 2006, inauguramos o espaço, dotado de tecnologia de ponta e classificado como um dos mais modernos do País.
A estrutura possibilitou, por exemplo, a inédita campanha de esterilização gratuita de cães e gatos e a vacinação antirrábica em massa, além de ações de conscientização para a posse responsável.
Nosso sucessor, Marco Bertaiolli, deu continuidade ao processo. Lançou o Petmóvel que leva aos bairros o serviço de castração de cães e gatos. O Centro de Bem-Estar Animal coloca Mogi no rol dos raros municípios dotados de um hospital veterinário gratuito.
Como se vê, é possível sair do zero e progredir em prol da causa animal. Basta vontade política. Contudo, isso não elimina a necessidade de a população agir, com responsabilidade, na relação com os animais domésticos. Adotá-los significa inseri-los em sua família. Isso exige alimentação, vacinas, cuidados e amor.
Lembre-se ainda de que há gente abandonando ninhadas de filhotes no lixo. Temos a grande oportunidade de colaborar para resgatar valores perdidos em meio à violência cotidiana. E, principalmente, de preservar a essência humana, em nós mesmos e nas gerações futuras.