Com os recursos desviados pela corrupção, certamente, muito poderia ser feito para melhorar a qualidade dos serviços públicos, especialmente em saúde e educação. O resultado de uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada a pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM), divulgada na última quarta-feira, aponta a saúde como o principal problema do País, e o combate à corrupção como a solução apontada pela maioria (65%) para resolver as dificuldades do setor.
No âmbito de tantas operações de combate à corrupção e seus curiosos nomes, decorrentes de investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal, a corrupção não sai mais das manchetes, como nas recentes prisões de dois ex-governadores do Rio e os "conflitos éticos" envolvendo integrantes do governo federal, como é o caso de Geddel Vieira Lima, que ontem renunciou à Secretaria de Governo, após ter sido acusado de pressionar o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero para a liberação de um empreendimento de alto padrão em Salvador (BA), onde adquiriu uma unidade. É o sexto ministro que deixa o cargo em seis meses.
No início da semana, o presidente Michel Temer (PMDB), em um longo discurso, afirmou que além do grave déficit fiscal que o País enfrenta, houve também um "déficit de verdade" no governo de Dilma Rousseff (PT), que seria responsável pelo isolamento da então presidente. Não há como negar os gigantescos erros cometidos durante os governos petistas, incluindo também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que levaram o País a uma profunda crise econômica e política, mas parece que pouca coisa mudou.
Até mesmo a autora do pedido de impeachment de Dilma, a advogada Janaina Paschoal, usou as redes sociais para criticar o atual governo: "Os sinais indicam que o presidente pretende trilhar o caminho de sua antecessora, passando a mão na cabeça de quem precisa ser afastado".
Temer parece ter razão, mas o "déficit de verdade" continua e está presente nas diferentes esferas da gestão pública. É um ministro que se aproveita do cargo para ser favorecido em determinada situação, alguns comerciantes que oferecem falsos descontos, como sempre ocorre durante a Black Friday, promovida ontem, para aproveitar a ansiedade de consumidores em busca dos mais variados objetos de consumo. Os problemas são frequentes e, infelizmente, se repetem.
"Na verdade, acho que até agora não erramos muito, não é?", disse o presidente recentemente. É importante para o País que ele repense esta questão, assim como toda a população.