Ao mesmo tempo em que o jornal publicou ontem reportagem sobre a previsão de incremento de R$ 186 milhões na economia da região a partir do pagamento do 13º salário de funcionários da indústria, outra matéria mostrou situação oposta, do fechamento de uma empresa do ramo de papel e a consequente demissão de quase 70 colaboradores. Se por um lado a maior parte dos empregados dessa categoria terão um final de ano sem sustos, por outro um grupo ficará a mercê do cumprimento daquilo que foi acordado entre membros da fábrica, sindicato e Ministério do Trabalho, para que os impactos ocasionados por esse corte sejam minimizados.
São realidades distintas que refletem bem a situação em todo o País. E traz à consciência que o que está bom agora pode não estar depois, ou que o momento sem solução e preocupante de hoje poderá se transformar em dias melhores no futuro. Tudo vai depender de como a economia brasileira irá reagir a tantos planos, projetos e ações do governo federal, bem como ao que acontece no campo político.
A iniciativa do Congresso Nacional de embutir no projeto popular que cria Dez Medidas contra a Corrupção uma anistia velada àqueles que praticaram o crime de "caixa 2" é um exemplo do que pode colocar tudo a perder neste momento de recuperação do País. O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) teve um preço bastante alto à popularidade de Michel Temer (PMDB). E o que ele justamente não precisa neste momento é ter uma parcela muito maior da opinião pública contra, ainda que atitudes contestáveis não sejam praticadas por ele, e sim por senadores e deputados. Mas Temer é a personificação da classe política hoje.
Saindo de Brasília e voltando à realidade daqui, é no dia a dia das pessoas comuns, trabalhadoras, que se percebe os reflexos dessa crise toda. Nem tudo é preto e branco. O cinza também aparece. Ainda que o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) estime essa injeção na economia, ela também acompanha se as empresas estão se empenhando em cumprir a legislação e pagar o 13º salário nos prazos previstos.
Enquanto isso, dezenas de demitidos da Suzanense Indústria e Comércio de Papéis Ltda. terão de ter paciência e muita sorte, pois o acordo foi para se pagar as verbas rescisórias em 12 vezes, quando a categoria quer que tudo seja quitado em até cinco parcelas. A realidade é dura e fica ainda mais nesta época. Que a mudança de ano também vire a página dessa crise.