Durante muito tempo nossa sociedade estabeleceu uma relação direta e imediata entre corrupção e outros desvios morais e os homens que atuam na esfera política. Tal fato é até certo ponto compreensível, pois não costumamos ter boas notícias envolvendo tal segmento. Ao contrário, não existe intervalo longo entre os escândalos protagonizados por aqueles que escolhemos para nos representar nos legislativos e executivos por esse país afora.
No entanto, o universo da política não possui o monopólio das práticas ilícitas, ilegais e imorais. São cada vez mais constantes os casos que envolvem o setor privado, particularmente os grandes grupos. O que temos presenciado em nosso país é o princípio do "vale tudo" para obtenção de vantagens. E isso tem sido constante nos diferentes âmbitos da sociedade. Não é por acaso que se consagrou o tal "jeitinho brasileiro". Seja no espaço público ou no privado, os maus exemplos se multiplicam.
É claro que a sensação de impunidade que sempre nos acompanhou tem participação nisso. Mesmo com alguns avanços, ainda não temos um sistema judiciário célere e eficaz. São muitos os casos em que os crimes prescrevem ou sequer são julgados.
Tudo isso contribui para que práticas delituosas diversas ocorram, inclusive de forma reincidente. Basta ver a quantidade de grandes lojas de roupas e assessórios que já foram denunciadas por se beneficiarem de trabalho análogo à condição de escravidão, inclusive infantil e que não mudam sua prática.
A prisão de pessoas responsáveis por atos criminosos não precisa assumir a categoria de espetáculo. Creio que para a sociedade o melhor é que essas ações sejam feitas e vistas com naturalidade.
Como podemos ver nossa preocupação não deve ser apenas com o comportamento de muitos dos nossos políticos. Parte dos nossos empresários e seus digníssimos representantes também merece nossa atenção.
Além do mais, o próprio judiciário tem sido muito questionado no que se refere aos vencimentos de seus membros em diversas instâncias, muito superiores ao teto válido para todos os servidores públicos.
Efetivamente o Brasil convive com uma profunda crise e ela tem caráter econômico, político e moral.