Foram impressionantes as imagens que rodaram o mundo na semanada passada de um imenso buraco se abrindo em uma importante avenida da cidade de Fukuoka, no Japão. A cratera engoliu tudo em 30 metros de largura e 15 de profundidade. Por sorte, embora alguns veículos tenham caído dentro, ninguém se feriu. Os prejuízos foram materiais apenas, deixando toda a região em volta sem água, gás, energia e telefone. O motivo teria sido um erro nos trabalhos de construção de uma linha de metrô no município nipônico, que tem mais de 1,5 milhão de habitantes.
Mais impressionante ainda foi ler novas notícias sobre o incidente e constatar que o imenso buraco foi totalmente fechado dois dias depois, com o asfalto restaurado e o trânsito liberado por completo. E as garantias dadas eram de que o pavimento é 30 vezes mais resistente que o anterior e que uma investigação já está em curso para investigar as causas do afundamento.
Tudo isso foi explicado e detalhado pelo próprio prefeito de Fukuoka, Soichiro Takashima, aos jornalistas que faziam a cobertura no dia da conclusão das obras no local. E ainda houve mais uma surpresa, pelo menos para nós, ocidentais, mais especificamente brasileiros. O prefeito aproveitou a presença da Imprensa para pedir desculpas à população, não só pelo incidente, mas porque o término dos serviços de restauração atrasou um dia.
O poder de recuperação dos japoneses é conhecido de longa data. Um país historicamente afetado por terremotos e tsunamis, além de ter sido palco da explosão de duas bombas nucleares, evento que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945, desenvolveu uma capacidade de dar a volta por cima que causa inveja. Um povo milenar, com uma cultura riquíssima, tem uma disposição de enfrentar as intempéries e calamidades com muita firmeza e perseverança. Mais do que lamentar, é resolver, dar uma solução ao problema e atender ao que a população espera que seja feito. Nada mais natural, nada mais justo.
Infelizmente, aqui no Brasil, continuaremos a nos espantar bastante com notícias assim. Estamos longe não apenas da eficiência em soluções que exigem atenção e um tratamento célere, mas também de ter a confiança de que tudo será feito dentro da legalidade, sem que alguém leve algum tipo de vantagem em uma determina obra. E de pensar que tem cidade que não cuida de sua infraestrutura como deveria, nem mesmo tapa simples buracos que tanto atazanam a vida das pessoas.