Comprar e vender no Brasil está cada vez mais difícil em tempos de crise econômica. Seja imóvel, carro ou qualquer outro bem. Com exceção à minúscula fatia da sociedade que sequer sentiu a crise no bolso, só vende quem se submete a baixar muito o preço, assim como só compra aquele que necessita urgentemente do objeto de desejo.
Em matéria publicada ontem, o subdelegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci-SP) no Alto Tietê, Roberto Najar, estimou que a venda de imóveis em Mogi das Cruzes caiu mais ou menos 80% em relação ao ano passado. Ele acredita que o setor de compra e venda de casas e apartamentos, residenciais e comerciais, deve começar a apresentar melhora no decorrer do ano que vem, caso a economia flua com mais naturalidade e se o governo conseguir garantir maior credibilidade.
Esta pode ser considerada uma visão otimista, haja vista que alguns economistas acreditam que o brasileiro só poderá sentir um alívio a partir de 2022. Isso porque o cenário atual não dá espaço para otimismo. Esta é a pior crise do período pós-industrialização do Brasil, ocorrida há quase 90 anos. Os mais pessimistas afirmam que a crise econômica corroeu os avanços conquistados na última década e que serão necessários quase 20 anos para voltarmos ao mesmo patamar econômico do início do século XXI.
Por isso, a alternativa do momento no setor imobiliário é o aluguel. As pessoas, com medo ou falta de recursos de comprar, preferem a locação. Já os proprietários, que não conseguem vender, reduzem o valor e oferecem contrato de aluguel. Afinal, é melhor ganhar um pouco por mês do que ficar sem nada.
Este atual cenário acaba travando, e muito, o crescimento imobiliário do Alto Tietê. Cidades como Arujá, Itaquá e Suzano, por exemplo, já estão sendo muito valorizadas no mercado em razão de obras viárias que "encurtaram" o caminho para a capital paulista. Mas de nada adianta a valorização no mercado se as pessoas não têm poder de compra.
A verdade é que já estamos cansados de manter o otimismo e a paciência. Esse pedido já não tem o mesmo efeito de quando feito há dois anos, quando a crise já estava instaurada. "A fase ruim vai passar", ou "acredite no mercado", já não passam de frases de efeito, e quem as fala está tão desesperado quanto nós mesmos.
O rapper Gabriel O Pensador já dizia muito antes da crise brasileira: "Até quando você vai levando porrada? Até quando vai ser saco de pancada?". Infelizmente, ninguém sabe.