Em meio à crise que toma conta da pátria, entendeu por bem o novo governo, acenar com uma proposta de congelamento de tetos de gasto estatais pelo prazo de 20 anos. Em trâmite o projeto de lei, tem merecido algumas críticas, entre elas a de que fará diminuir o investimento na Educação. Para evitar que a proposta seja barrada - de maneira certa ou errada, não é o que se discute - discentes de alguns colégios resolveram tomá-los de assalto, ocupando-os. Das maneiras mais diferentes agiram os gestores estaduais, havendo, inclusive, os que buscaram garantias para as desocupações no Poder Judiciário. Foi o que se deu, por exemplo, no Distrito Federal, onde o magistrado da Vara da Infância e da Juventude não somente concordou, mas, "do alto de sua autoridade", dando mostras de que não se acha preparado para o cargo que exerce, referendou medidas draconianas.
De sua pena, saiu a autorização para que os estudantes - "bandidos de nomeada", "delinquentes os mais perigosos" -, enquanto nos prédios públicos, se vissem obstados de receber alimentação, bem como, revivendo Abu Ghraib e Guantânamo, se submetessem a sons estridentes e contínuos, para que, privados do sono, abandonassem os seus propósitos e deixassem os imóveis.
Ajudem-me, por favor: não estamos revivendo momentos bárbaros da história do mundo? Não estamos voltando aos atos de força, que, há pouco tempo, infelicitaram a nação brasileira? Não estamos a um pulo do renascimento das práticas vis dos odiosos porões? Quando até julgadores, aqueles em que se depositam as últimas esperanças da observância do Direito, se prontificam a coonestar torturas, em aceitar que tudo vale contra o arroubo de uma juventude que reflete o atual momento sociopolítico, me parece que sequer a esperança paira sobre nós. Para o meu desalento, tenho que concordar com Renan. O magistrado não merece as maiúsculas que identificam o seu nobre sacerdócio.