Não há como deixar de se revoltar com a situação difícil vivida por milhares de pessoas em precárias estações ferroviárias. A reportagem do último domingo mostrou como estão as estruturas na Linha 12-Safira, mas retrata de maneira geral o que se pode encontrar também na Linha 11-Coral. 
É inadmissível ver mulheres carregando crianças no colo degrau por degrau e pessoas idosas ou com deficiência sofrendo para chegar ao seu destino. E tudo isso sem qualquer sinal de apoio ou auxílio. Já não bastasse a precariedade das estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) em Itaquá que a reportagem visitou na semana passada, Manoel Feio e Aracaré, o usuário ainda tem que enfrentar os desafios impostos pela dificuldade de utilizar um serviço que não é gratuito.
As consequências da falta de acessibilidade são muito comuns. Da mesma forma como a equipe de reportagem se deparou com a dificuldade de uma mulher levando uma criança nos braços na Estação Aracaré, no mês passado um episódio igualmente triste chamou a atenção, quando uma jovem precisou acionar a Polícia Militar para conseguir que a auxiliassem a subir o filho deficiente pelas escadas da Estação Brás Cubas. Faltou acessibilidade - e sensibilidade.
É bem verdade que a CPTM investiu na reconstrução e reforma de várias estações da Linha 11, mais especificamente em Suzano, Calmon Viana, Poá e Ferraz de Vasconcelos. Mas também é fato que essas obras levaram muito mais tempo do que o prometido por diferentes presidentes da companhia, secretários estaduais e governadores ao longo dos anos. 
Além disso, muita coisa ficou no papel em relação à Linha 11, como a revitalização das estações em Mogi das Cruzes. Na última vez em que esteve na região, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) reconsiderou a promessa de garantir novas estruturas para a cidade até 2018. Se com prazo determinado tudo demorava para acontecer e ser concretizado, sem uma estimativa agora é bom os mogianos nem contarem tão cedo com essas obras.
Em Itaquá, então, a previsão é ainda mais pessimista. Por isso mesmo o prefeito Mamoru Nakashima (PSDB) iniciou uma campanha pessoal de cobrar o governo do Estado para garantir melhorias. Tanto que, nos últimos dias, foi pessoalmente às estações da cidade ouvir as queixas das pessoas e transmiti-las à CPTM.
Transporte público é essencial, sem dúvida. Exigir um serviço de qualidade das autoridades nada mais é do que um direito do cidadão. Cabe ao Estado atender e cumprir.