Já faz algumas temporadas que o time do Mogi Basquete vem "sentindo o cheirinho de título", seja no Campeonato Paulista de Basquete ou no Novo Basquete Brasil (NBB). E agora, tudo indica que o momento de levantar o caneco chegou. A equipe mogiana começa a disputar hoje as finais do Estadual, contra o Bauru.
Antes do início do Campeonato Paulista foi registrado neste mesmo espaço do jornal que o favorito ao título paulista, enfim, seria o Mogi Basquete. Enquanto grandes times do Estado, como Paulistano, Franca, Bauru, São José e Pinheiros se desfizeram de seus principais jogadores antes do início desta temporada regular, devido à crise econômica que afetou quase todas as áreas do País, o Mogi Basquete andou na contramão, conseguiu manter a base, os principais jogadores, e ainda trouxe o treinador Guerrinha, consagrado nome do basquete nacional.
O tridente americano, formado por Shamell, Tyrone e Taylor, está voando. Outros jogadores, antes contestados, também estão bem encaixados no esquema de jogo e, veteranos, como o capitão Guilherme Filipin, ainda estão lá, mostrando aos mais novos integrantes do elenco como tem que ser o comportamento de um atleta que defende as cores do time de Mogi.
O papel e a postura da diretoria ao longo dos anos de projeto também devem ser destacados. Desde 2011, quando a equipe retornou à elite do basquete paulista e, posteriormente, do nacional, os diretores afirmavam, com muita tranquilidade, independentemente dos resultados conquistados, que "nosso projeto é de longo prazo", "não vamos dar um passo maior que a perna" ou "nossa hora vai chegar". Trabalho feito com os pés no chão devem servir de exemplo, não só para outros projetos esportivos, mas para todos os âmbitos de uma administração.
A diretoria dizia, ainda em 2011, que não tinha interesse em montar um "supertime" para buscar um título rapidamente, sendo que depois essa equipe teria que ser desmantelada e, ainda por cima, deixando um prejuízo para o clube. O planejamento funcionou. A torcida vem acompanhando o crescimento gradativo da equipe e lota o Ginásio Hugo Ramos, no Mogilar. Essa parceria time/torcedor não existiria, caso se tratasse de um "projeto relâmpago", em busca apenas de resultados imediatos.
Agora, parece que o momento será de recompensa e, depois de 20 anos, o Mogi Basquete pode voltar a ser campeão estadual. Mas, para a torcida, muito mais marcante do que um jogo que decide o título são os anos de parceria ao lado do time da cidade.