Não é de hoje que a política brasileira precisa reposicionar sua imagem perante aos eleitores. Prova disso é a quantidade de abstenção e votos nulos nas últimas eleições municipais. Só no Alto Tietê mais de 200 mil eleitores deixaram de depositar seu voto. Depois do município mogiano, Itaquá e Suzano são as cidades com maior representatividade no eleitorado, já que são as mais populosas da região. Juntos, estes municípios tiveram 301,2 mil pessoas a menos representando o eleitorado, ou seja, uma taxa de 26,94% de abstenção.
Outro número relevante é o de votos nulos na capital paulista, onde mais de 1 milhão de eleitores (16,6%) que foram votar, estiveram diante da urna eletrônica, mas não optaram por nenhum dos 11 candidatos à prefeitura. O número representa aumento de 30% em relação a 2012, que teve 12,8% de brancos e nulos, o mais alto desde a redemocratização.
O recado das urnas é claro: o eleitor está descontente com a classe política, principalmente depois de escândalos como o Mensalão e a Lava Jato. O que o cidadão tem em mente hoje é que político é sinônimo de corrupção. Por isso é importante o reposicionamento da imagem da política nacional, mas, para isso, é preciso que a máquina pública seja consertada, ou substituída. Isso porque, além de não confiar na figura política, o eleitor já não tem mais fé no sistema. A impressão de muitos é que, para ser eleito a qualquer cargo político, é preciso se corromper.
Creio ainda que a maioria das pessoas que foram às urnas e depositaram um voto de confiança a um candidato não acreditam nele. Para muitos, votar é apenas um compromisso chato, um clique em uma tecla verde, onde há uma ponta de esperança de que o candidato da vez possa ser diferente e apresentar bons resultados à população. Se nosso sistema funcionasse e integrasse o cidadão nas principais decisões políticas, o eleitor não se esqueceria, meses depois, em quem votou.
Neste momento é preciso lembrar do PT. Este sempre teve raízes sociais muito fortes e, se por um lado trouxe a esperança de mais igualdade, hoje, os casos de corrupção nos quais o partido está envolvido, trouxe uma desilusão. Assim, mais do que nunca, o povo está perdido, se sentindo em um imenso oceano, sendo levado pela maré.
Enquanto a máquina política não for transparente, nos sentiremos cada vez mais perdidos. E o País continuará a ser comandado por corruptos.