A onda de ocupação de escolas públicas parece ter voltado. No ano passado, a justificativa era a reorganização escolar programada pelo governo do Estado que previa a transferência de estudantes e até fechamento de salas e unidades, mas que acabou sendo suspensa por causa das manifestações que ocorreram. Agora, os alunos protestam contra o projeto que prevê reforma no ensino médio em todo o País e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 241), que estabelece um teto para o aumento dos gastos públicos por 20 anos.
E essa "moda" de ocupar escolas, após vários casos em São Paulo e também em outros Estados, chegou à região. A primeira cidade do Alto Tietê a testemunhar o "levante" de adolescentes secundaristas foi Itaquaquecetuba. Desde a madrugada de anteontem, estudantes ocuparam a Escola Estadual Professora Edina Álvares Barbosa, na Vila Japão. Ao que parece, a iniciativa, que pode ser considerada contestável, tem até mesmo apoio Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), pelo menos nesse caso específico. E a previsão é de que mais unidades, de Itaquá e de outras cidades, também sejam ocupadas.
É interessante quando se assiste a jovens se mobilizando, lutando pelos seus direitos e, principalmente, se fazendo ouvir pelas autoridades. É algo que vem crescendo bastante nos últimos anos. Por outro lado, fica a dúvida, em casos como esse, se toda essa vontade pueril tem realmente sentido e mesmo se os alunos sabem, de fato, o que estão defendendo ou contra o quê estão lutando. Se posicionar de maneira combativa frente ao projeto do governo federal que poderá trazer mudanças drásticas no ensino médio é um direito, ainda mais agora que está passando pelo crivo do Congresso Nacional.
Mas daí a se impor desfavoravelmente à PEC 241 fica um pouco de dúvida no ar se sabem mesmo o que tal medida propõe e quais as consequências danosas que tanto se propala. E ainda que saibam sobre esse tema tão complexo, é motivo para ocupar uma escola e prejudicar a vida de outros colegas que simplesmente querem estudar?
No ano passado, durante as ocupações de escolas na região, o que mais se via era aluno participando do protesto sem ter a consciência real do que estava fazendo ali. "Se a moda é protestar, vamos protestar! Ainda mais contra esse governo golpista que quer acabar com a Educação! Não importa porquê"! Como se só esse fosse o caminho. Chega a beirar um pouco o ridículo, uma verdadeira vergonha alheia.