É bem provável que muita gente seja pega de surpresa hoje se procurar algum serviço público e der com a cara na porta. É Dia do Funcionário Público. Embora haja a garantia por parte das administrações municipais de que os serviços essenciais não irão parar, é de se estranhar quem define o que é ou não importante. Ter aula na escola, poder deixar o filho na creche, passar por uma consulta com médico no posto de saúde são, sim, serviços essenciais, ou não? Poderia ser discutida aqui o porquê de um ponto facultativo para uma categoria específica se para outras classes isso não existe.
Um dia sem expediente quando todos os demais estão trabalhando, estudando e tendo outros afazeres normalmente é uma perda para o contribuinte, que paga o salário dos servidores e é tão cobrado a engordar a arrecadação dos cofres municipais. Mais estranho ainda são as prefeituras que transferiram o ponto facultativo da data em que se comemora o Dia do Funcionário Público para 1º de novembro, véspera do Dia de Finados. E já que vão parar terça e quarta-feiras, por que não também na segunda-feira, não é mesmo? Ou seja o expediente acaba hoje à tarde e só será retomado na quinta-feira, dia 3.
Aqui no Alto Tietê isso ocorrerá em três municípios: Suzano, Itaquaquecetuba e Santa Isabel. Trocar uma sexta-feira por três dias seguidos de descanso é uma proposta e tanto. Mas só para quem vai folgar, porque a grande maioria não terá tamanha benesse.
E o que mais espanta nessa situação toda é Suzano. Qual o objetivo da prefeitura em transferir a data e garantir uma emenda de três dias, um enforcamento que pouco se vê? Especialmente por causa de um pequeno detalhe: neste domingo a cidade terá o segundo turno da eleição municipal. Beneficiados que sejam estimulados a viajar, por exemplo, desde o final de semana, com um grande período de folga, poderão não pensar no pleito. Não tem nem como competir com uma oportunidade tão atrativa. Sem dúvida, poderá afetar bastante o processo eleitoral; só não se sabe em detrimento de qual candidato. Ou seja, a eleição poderá ser influenciada por um (não tão) simples ponto facultativo/feriado prolongado.
Tomara que seja apenas uma expectativa negativa e que na prática não haverá consequências irreparáveis nem será feita tanta diferença como se imagina que possa fazer. Tomara mesmo. Mas a despeito disso, o que o cidadão quer mesmo é respeito e um serviço público de qualidade que não seja interferido por benefícios tão singulares, pois enquanto o contribuinte comum labuta, o servidor tem o seu devido descanso.