Foi assim que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), classificou o juiz federal que decretou a prisão de agentes da Polícia Legislativo. Chefete de Polícia foi o título outorgado por ele ao atual e provavelmente breve ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Assim como o seu sucessor, José Eduardo Cardozo, se expõe e está sob fogo amigo e inimigo.
Renan Calheiros está na alça de mira do Poder Judiciário e pode deixar o cargo em breve. Diferentemente de Cunha, não deixará nenhum legado na Presidência do Senado. Cunha pelo menos carimbou a faixa de Dilma; Renan resolveu abrandar a pena da "presidenta", assegurando-lhe direitos políticos.
Acuado em seu pequeno reino, o Senado, ele acionou sua metralhadora verbal e atirou no juizeco. Metralhadora não é precisa, acertou todo o Poder Judiciário. Ao desqualificar o juiz federal que deu a ordem de prender seus policiais, o que foi um dedo na pupila de Renan, ele reagiu e atirou num barril de pólvora.
A presidente, e não "presidenta" do STF, ministra Carmen Lúcia disse que o ataque ao juizeco é um ataque à Magistratura como um todo, um ataque ao Poder que ela preside. Renan acelerou demais, está com medo, acuado e viu na operação um desrespeito a sua autoridade, por isso saiu ofendendo, mas o efeito esperado foi inverso. Não esperava a estocada com uma vara tão curta.
Já queria, agora exige, a cabeça de Alexandre de Moraes, a quem classificou como ministro de Governo e não de Estado. Sabe que não corre o mesmo risco de Cunha, preso por Sérgio Moro, pois está nas mãos do STF e que lá tudo tramita com parcimônia e cautela, afinal são decisões que afetam poderes, um deles o Legislativo, cujo o ex-presidente, já cassado, hoje está preso em Curitiba.
Temer terá que acalmar Renan. O melhor calmante é a exoneração de Alexandre de Moraes. Na Justiça só alguém da confiança ou indicação de Renan ou de seus aliados, só assim as reformas passam com tranquilidade no Senado. Mas depois ainda virá o apocalipse político brasileiro, escrito por Marcelo Odebrecht.