Candidatos bem votados não assumirão uma cadeira no Legislativo. Para ser eleito vereador ou deputado não basta ser o mais votado, é necessário ter inteligência política. Uma votação expressiva não assegura uma vaga no Legislativo, estar no partido ou coligação certa sim.
É comum candidatos com votação inexpressiva alcançarem uma vaga em detrimento de campeões de votos. A eleição para o Legislativo Municipal, estadual e para Câmara Federal, não é uma eleição de candidatos, mas de partidos e coligações. Esse jogo é ignorado pelo eleitor. Só se elege quem é profissional ou é gerenciado por um. Isso precisa acabar, devem ser eleitos os mais votados e ponto.
A conquista de uma vaga no Legislativo depende de uma estratégia eleitoral dominada por políticos profissionais que estruturam partidos e coligações com essa finalidade e assim levam a maioria das cadeiras nos parlamentos. Eleição de vereador é para profissionais, por isso não há renovação sendo comum a perpetuação de mandatos. Há vereadores que praticamente são vitalícios. A falta de oxigenação do Legislativo Municipal decorre das regras atuais, quem as conhece e as usa, vence.
O "Meu nome é Enéas!" surpreendeu o Brasil, revelando que, jogando com as regras, era possível eleger deputados federais com menos de mil votos, puxados por uma votação milionária. Sua técnica foi aplicada cientificamente pelo Partido da República para eleição de Tiririca e o resultado espetacular, elegeu, além do palhaço, uma leva de deputados que sozinhos não chegariam lá, tudo pela coligação e pelo quociente eleitoral. Por isso se assiste a migração de candidatos para partidos absolutamente antagônicos.
A ideologia nesse caso é a eleição, não importa em que legenda. A lista de candidatos é estruturada para eleger apenas um ou alguns candidatos, os caciques, os demais são azarões, se conseguirem uma votação expressiva se elegem, senão continuarão como todos os demais: "escada" para os que serão eleitos.