Não sei se serviram caviar, mas no resto teve de tudo!
Mais de 270 deputados, alguns com a família a tiracolo, esbaldaram-se em festa no Palácio da Alvorada.
Entre bebidas finas e caras a tira-gostos, iniciaram confraternização, até que foram chamados à mesa para degustarem os pratos principais: filé mignon, salmão e risoto de shitake.
Se as iguarias eram triviais aos que espoliam a nação, há que se convir, se mostraram impróprias para aquele instante.
Isso se ressalta, porque a desculpa para a comilança, paga pelo povo é bom que se lembre, era a de discutir medida tendente a recuperar país empobrecido.
Mais se tornou surreal o evento, quando em discurso ensaiado, o presidente sem votos, como tem feito corriqueiramente, anunciou que "estava cortando da própria carne".
A carne que ali se fatiava, no entanto, era outra. A lauta refeição, os pratos elaborados, eram, exatamente, os que faltam nos cardápios dos brasileiros menos abastados - a grande maioria de nossos irmãos - que de seus ingredientes conhecem, às vezes, somente por ouvir contar.
E é principalmente sobre eles que recairá, com o rigor bradado pelo Chefe do Executivo, a limitação dos gastos públicos por 20 anos.
Afinal, o debilitado ensino, que em países governados por homens de mediana inteligência recebe atenção acima da normal, tende a sofrer diminuição em suas verbas, com a programada desvinculação dos percentuais a serem investidos; afinal, a condenável saúde pública, centro das mais variadas críticas e discussões, calcanhar de Aquiles das diversas gestões, por aquilo que não oferece, e que também deveria merecer apoio incondicional para tirá-la do atoleiro, terá, diminuídos, os repasses governamentais.
Não houve, sequer, sensibilidade para se entender que, em plena crise, os proventos das diversas categorias se encontram em baixa, e que, congelá-los por tempo tão longo, equivale a prolongar o sofrimento de agora.
Enquanto isso, os parlamentares, inalcançaveis pelo desatino, brindavam!