Mais novo integrante do seleto grupo de prisioneiros da Lava Jato, Eduardo Cunha terá muito tempo para escrever o seu livro de memórias. Preso preventivamente por ordem do juiz Sergio Moro, definitivamente o novo herói nacional, Cunha não tem data para sair. Deverá ficar no seguro, pois os demais presos são integrantes do partido que ele ajudou a dizimar.
Seu único habeas corpus será um acordo de delação premiada. Se não o fizer, corre o sério risco de permanecer encarcerado por longos anos, pois, ao que tudo indica, há farta prova documental de que o mesmo se apropriou de muito dinheiro de forma ilícita.
Sua prisão não é temporária, mas preventiva, revelando que sua liberdade é um risco para instrução penal. Até hoje poucos conseguiram a liberdade nessas condições. Como os processos sob a presidência de Moro tramitam com velocidade muito acima da média nacional, Cunha será brevemente condenado. Por isso, não deve perder tempo e entabular logo os termos e as condições para sua delação premiada, para livrar não só ele mesmo, mas também sua família.
No próximo dia 16 de novembro está agendado o interrogatório da esposa de Eduardo Cunha, Claudia Cruz, que também responde a processo sob a presidência de Moro. Com absoluta certeza, Cunha tem muito a declarar e pode antecipar ao Ministério Público Federal o seu livro de memórias. Prestará sem dúvida mais um grande serviço à nação. O primeiro foi a condução do processo de impeachment de Dilma.
A situação de Eduardo Cunha é delicada, pois envolve também sua família. Sua resistência pode não ser a mesma de sua esposa. Vivemos hoje tempos inimagináveis há poucos anos, onde a regra era a de que poderosos jamais visitavam cadeias. Primeiro o mensalão, que colocou na cadeia gente que nunca, nem em pesadelo, ficaria atrás das grades. Hoje não há nenhuma cerimônia em encarcerar quem quer que seja; nem mesmo Lula está a salvo do rigor da lei, da independência de Sérgio Moro e da cadeia.
Definitivamente, o Brasil mudou e a sensação de impunidade diminui.