As eleições municipais deste domingo devem confirmar o declínio dos candidatos de esquerda, em especial os do PT, nas cidades mais importantes do País. Os motivos são óbvios e estão capitulados nas (até aqui) 35 fases da Operação Lava Jato.
Despojado dos meios institucionais, resta a batalha campal, em que são especialistas. O PT perde nas urnas, mas mantém seus feudos estratégicos na máquina pública, estruturados em quase 14 anos de reinado, nas três esferas federativas, fornidos com a grana grossa da corrupção. O partido, além de aparelhar o Estado, patrocinou a construção de uma gigantesca máquina sindical e estabeleceu sua hegemonia nas universidades, na mídia e nos meios artístico e intelectual.
A reação de Lula às denúncias da Lava Jato tem sido a de mobilizar essa militância contra as instituições, incentivando o discurso vitimista do golpe. Ciro Gomes, ex-ministro de Lula e pré-candidato à Presidência da República, chegou a afirmar, em entrevista, que se dispõe a "sequestrar" o ex-presidente e levá-lo a uma embaixada para que saia do País e escape de prestar contas à Justiça. O que fez é um crime, semelhante ao que Delcídio do Amaral propôs fazer com Nestor Cerveró.
A dificuldade está em que os fatos insistem em acontecer. Esta semana foi preso o segundo ex-ministro da Fazenda da Era PT, Antonio Palocci, sob a mesma acusação - roubo - do anterior, Guido Mantega. Já estão na cadeia, também por esse delito, três ex-tesoureiros do PT, um ex-presidente (José Dirceu) e são réus os dois petistas que ocuparam a Presidência da República, Lula e Dilma. Não obstante tudo isso, a mobilização obsessiva de jovens nas universidades, entoando o discurso do golpe, mostra que aquela que deveria ser a elite pensante faz questão de virar as costas à realidade e desafiá-la.
A política, em sua origem, foi concebida como o meio pacífico de contornar conflitos. Sem ela, volta-se à barbárie. E é nela, na barbárie, que PT e aliados, que desmoralizaram ainda mais a política brasileira, jogam suas fichas, na tentativa de fugir à responsabilidade pelos crimes perpetrados.