Foram divulgadas nesta semana as notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 e, mais uma vez, ficou claro o abismo existente entre as instituições das redes privada e estadual. Embora as escolas públicas representem 58,2% do total de unidades na lista divulgada pelo governo, elas só respondem por 0,3% das cem escolas com as médias mais altas, e 4,9% das mil que têm as maiores médias.
É possível fazer uma análise levando em conta desde o porte da escola até a condição socioeconômica dos alunos, fatores que influenciam diretamente no desempenho acadêmico dos estudantes e que devem ser considerados na hora de avaliar a situação de cada instituição.
Pelo terceiro ano consecutivo, o Objetivo Colégio Integrado, de São Paulo, ocupou a primeira posição. A escola privada tem nível socioeconômico alto e porte considerado pequeno (só 41 estudantes estavam matriculados no último ano do ensino médio em 2015, e todos eles fizeram o Enem). No Alto Tietê, das 20 unidades com os melhores desempenhos, 12 estão em Mogi das Cruzes. Do total, apenas quatro são da rede estadual.
Mas essa grande diferença de desempenho começa na estrutura oferecida pelas instituições de ensino, desde a educação infantil. Basta entrar em uma escola particular e observar todas as condições oferecidas aos estudantes e, depois, comparar com uma unidade pública.
Gestores e professores da rede estadual trabalham, muitas vezes, em condições precárias, com falta de materiais básicos, como papel sulfite, máquina de fotocópia, e sem apoio de qualquer recurso tecnológico para incrementar as aulas. Já nas particulares, os professores programam suas aulas com aparelhos de retroprojetor, laboratórios, sala de espelho, biblioteca, entre outros. O abismo começa a ser formado a partir daí.
Além disso, nas escolas do Estado, os professores acabam tendo que lidar com sérios problemas extra-classe, geralmente, com uma frequência maior do que nas particulares, o que envolve conflitos familiares, falta de alimentação adequada, entre outros.
Ainda corre o risco de o professor funcionário público ser culpado por algumas pessoas em relação à presença reduzida de escolas estaduais no ranking das melhores notas do Enem.
O tema Educação é prioridade, pelo menos na teoria, há décadas no Brasil. E se não é possível colocar as escolas públicas em pé de igualdade com as particulares, que pelo menos contem com uma melhor estrutura física, para que o aprendizado seja mais estimulado.